Lavagna deixa Ministério da Economia da Argentina

O chefe de gabinete da presidência da Argentina, Alberto Fernández, anunciou a substituição do ministro de Economia, Roberto Lavagna, pela atual presidente do Banco de La Nación, Felisa Micelli. O anúncio foi feito numa entrevista coletiva e surpreendeu a imprensa. Uma vez mais, o governo não assumiu a existência de um conflito com Lavagna, que já vinha sendo alvo de boatos de demissão desde a semana passada. Kirchner nomeou outros três novos ministros que vão substituir o chanceler Rafael Bielsa, o ministro de Defesa, Jose Pampuro, e a ministra de Ação Social, Alicia Kirchner. Os três foram eleitos para o Legislativo e deixarão os cargos. Os seus substitutos são: na Chancelaria, o atual vice, Jorge Taiana; na Defesa, a atual embaixadora na Venezuela, Nilda Garré; e na Ação Social, Juan Carlos Nadalich. Ainda não foi anunciado o nome do substituto de Felisa Micelli no Banco de La Nación. Nova ministra não descarta rompimento com FMI A atual presidente do Banco de La Nación, Felisa Micelli, substituirá Lavagna A economista Felisa Micelli será a primeira mulher a ocupar o ministério de Economia da Argentina. Ela tem 52 anos, é mãe de três filhos, e formou-se em Economia pela Universidade de Buenos Aires. Já ocupou o cargo de diretora do Banco Província, entre 1983 e 1987. Analista de temas financeiros, Micelli é uma das poucas mulheres próximas ao presidente Néstor Kirchner. Ela se considera "um soldado da causa kirchnerista, convencida e comprometida", como chegou a afirmar, há alguns meses, durante entrevista coletiva à imprensa. Na oportunidade, Felisa Micelli expressou alguns conceitos que poderão ser observados durante sua gestão na nova cadeira. Em relação ao Fundo Monetário Internacional, Micelli disse que sem acordo "os recursos econômicos do país não alcançarão para pagar a dívida externa a todos". Porém, opinou que se a Argentina não pagar o que deve ao FMI "não ocorreria nada ruim". Para completar, Micelli afirmou que a possibilidade de uma ruptura com o FMI não é uma alternativa a ser descartada. De acordo com os analistas, a designação de Felisa Micelli não "alteraria o rumo econômico" do governo Kirchner, como explicou o economista Orlando Ferreres à Agência Estado. Ele acredita que a política cambial continuará alta e o "estilo produtivista" do presidente também será mantido. "O importante é que não haverá tantos conflitos entre Economia e a Casa Rosada, como havia com Lavagna, porque Micelli é completamente alinhada com o presidente", detalhou.

Agencia Estado,

28 Novembro 2005 | 13h38

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