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Lavagna descarta lançamento de pacote econômico

O ministro de Economia, Roberto Lavagna, descarta o lançamento de um pacote econômico quando Néstor Kirchner assumir o governo, em 25 de maio próximo, mas confirma que no dia da posse haverá anúncio de medidas. Segundo fontes do Ministério de Economia, a equipe econômica "está trabalhando arduamente para o lançamento das primeiras medidas de impacto do governo". Uma das fontes explicou à Agência Estado que estão se ultimando os detalhes de duas reformas: a tributária e a do sistema financeiro, as quais deverão ser enviadas ao Congresso Nacional na primeira semana de governo. A bronca dos empresários e banqueiros contra Kirchner, refletida no comportamento dos mercados ontem, e argumentada pelo teor "ideológico" do primeiro discurso do presidente eleito, se deve também ao fato de que Kirchner não tenha se reunido com as associações representativas destes setores para discutir as reformas. No entanto, outra fonte lembra, que "Kirchner não se reuniu para discutir estes temas porque tem seu ministro e seus técnicos que já estão trabalhando nisso?, desde o convite a Lavagna para acompanhá-lo, quando ainda era candidato, justificou. A fonte do ministério afirmou que "não haverá grandes surpresas, nem sustos" nas medidas que estão sendo preparadas porque todas elas "já vêm sendo discutidas desde o início do ano".A fonte diz que as medidas serão divididas em duas etapas: uma, contará com um plano de obras públicas, a ser financiado com empréstimos de organismos internacionais, como BID e BIRD, melhorias no poder de compra dos setores mais pobres, contintuidade do plano social Chefes e Chefas de Lares, estímulos ao crédito e outros. A segunda etapa está relacionada à aprovação de medidas reivindicadas pelo Fundo Monetário Internacional para fechar o novo acordo com o governo, já que o provisório terminará em agosto. Como Lavagna será mantido no cargo, vários técnicos e secretários que o acompanham no momento também continuarão em suas funções, como o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, negociador da reestruturação da dívida externa. A tarefa de iniciar, formalmente, a renegociação da dívida é outra das medidas que o governo de Néstor Kirchner quer adotar para marcar o início de sua administração e faz parte do leque de exigências do FMI. Para fazer um novo acordo com o Fundo, o presidente eleito terá de negociar com os banqueiros, com ou sem resistências. A questão da suspensão, pela terceira vez, das execuções de hipotecas que vêm se arrastando desde a pesificação da economia é dos principais pontos exigidos pelo Fundo Monetário Internacional. Suspensa por mais 90 dias, pelo Congresso Nacional, a missão que esteve em Buenos Aires até a última segunda-feira disse que a situação não se "permite mais demoras". Por outro lado, o assunto é de extrema sensibilidade política para o governo, especialmente para os devedores da classe média afetados duramente pela crise. Diante deste quadro, o ministro Lavagna pretende agora negociar diretamente com os bancos, sem expor o presidente eleito à necessidade de editar um decreto ou uma lei que enfrentaria uma grande oposição no Congresso, para manter a suspensão pelo menos para os casos dos devedores da casa própria única. Esta negociação será a chave para abrir a portas de uma aproximação entre Kirchner e os banqueiros ou acirrar os ânimos. Em busca de um consenso, Lavagna pretende oferecer em troca, um projeto de lei para instrumentar as compensações aos bancos pela pesificação assimétrica.

Agencia Estado,

16 de maio de 2003 | 11h16

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