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Lavagna diz que Argentina não contagiou os vizinhos

?A Argentina não contaminou ninguém?, afirmou o ministro da Economia, Roberto Lavagna, em referência à uma eventual contaminação nos países do Mercosul por parte da crise local. Lavagna, que realizou estas declarações com veemência ao jornal Clarín, sustentou que "a palavra contágio significa que alguém está doente e que transmitiu a doença para outro. Este não é o caso".O ministro também descartou que o governo do presidente Eduardo Duhalde esteja esperando que um eventual agravamento da crise no Brasil serviria de motivo para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) apressasse uma ajuda financeira para a Argentina."Não sou daqueles que consideram que a crise pode ajudar", disse, e citou um velho ditado popular argentino, que afirma que "aquilo que é ruim para muitos é o consolo dos tontos". Segundo Lavagna, "essa seria uma visão míope. Ao contrário. Nós necessitamos um Brasil pujante e forte, que tenha a função de locomotiva de toda a região. Neste sentido, eu poderia dizer que a Argentina poderia ser uma vítima a mais da crise, pois demorará em se recuperar. A Argentina não será beneficiada com a crise no Brasil?.Mas, em Buenos Aires, nem todos pensam como o ministro. Segundo a Fundação Capital, um dos principais centros de estudos econômicos da Argentina, "a crise regional acelerará o acordo com o FMI". A Fundação sustenta que o FMI esteve "reticente" em relação à aprovação de um acordo com a Argentina, já que o organismo financeiro exige que o governo Duhalde "coloque primeiro em ordem seus problemas internos". Em seu relatório semanal, a Fundação sustenta que "um agravamento da crise na Argentina, que poderia ocorrer se o FMI não nos ajudar, amplificaria esta crise regional que está começando, e poderia perfurar e inutilizar as blindagens financeiras recentemente concedidas ao Brasil e ao Uruguai".A Fundação afirma que o tempo está acabando: "Se nos próximos 30 dias persistir a indefinição em relação à ajuda financeira para a Argentina, vamos direto para um dilema complicadíssimo".Segundo o porta-voz do presidente Duhalde, Eduardo Amadeo, o presidente teve uma longa conversa telefônica com o presidente Fernando Henrique Cardoso neste fim de semana para analisar o alastramento das crises na região. O chanceler Carlos Ruckauf declarou que "a esta altura, é preciso uma solução para todo o Mercosul. Por isso pediremos ao presidente do México, Vicente Fox, que seja nosso interlocutor com os Estados Unidos, para que entendam que a crise da Argentina, e agora também a do Brasil, vão atingir todo o continente americano".O pedido a Fox aconteceria durante a reunião de cúpula de presidentes do Mercosul, marcada para os dias 4 e 5 de julho. Desde este fim de semana, o tom do governo Duhalde está sendo o de enfrentar a crise da região de forma unificada. No sábado, o presidente argentino afirmou que "o Brasil precisa ajuda para sair da crise porque é a nona economia do mundo e porque a crise nesse país poderia causar um efeito dominó que prejudicaria toda a América Latina". Duhalde sustentou que o Brasil precisa ser ajudado com urgência.ViagemO ministro Lavagna desembarcaria na próxima terça-feira em Washington com a missão de tentar convencer o FMI a apressar o fechamento de um acordo financeiro com a Argentina. O governo do presidente Duhalde espera este acordo desde fevereiro, quando retomou as negociações com o Fundo. De lá para cá, a promessa do governo tem sido constantemente que "no mês que vem o acordo será assinado".No entanto, a perspectiva de um acordo, por enquanto, ainda está distante, já que a Argentina ainda não cumpriu uma série de exigências feitas pelo FMI.Segundo declarações do ministro Lavagna ao jornal La Nación, "não existe nenhuma razão profunda que possa impedir o acordo. Por isso, acredito que ele sairá?. No entanto, Lavagna destacou que embora seja "necessário", o acordo não é suficiente: "Somente isso não resolverá os problemas da Argentina. Trata-se apenas da base sobre a qual poderá se construir a política econômica".Analistas consideram que a fraqueza da Argentina poderá ser sua melhor arma, para pressionar o FMI a conceder a ajuda financeira de forma urgente.Esta será a semana mais importante para Lavagna, desde que tomou posse há dois meses. Seus dois antecessores, os ex-ministros Domingo Cavallo e Jorge Remes Lenicov, tiveram que renunciar poucos dias depois que cada um voltasse das tensas reuniões com o FMI em Washington com as mãos abanando. "Esta, será uma semana complexa", admitiu o ministro.

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