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Lavagna e Prat-Gay tentam acabar com polêmica

O ministro de Economia, Roberto Lavagna, e o presidente do Banco Central, Alfonso Prat-Gay, conversaram ontem, por telefone, durante 40 minutos, para colocar um ponto final na polêmica desatada pelas declarações do presidente do BC, que disse a um grupo de empresários que era "um disparate" do presidente Néstor Kirchner querer um dólar a três pesos, entre outras frases críticas ao presidente, a Lavagna e ao Fundo Monetário Internacional. Prat-Gay reconheceu a um grupo de deputados do Partido Justicialista, com quem almoçou, que suas declarações "foram uma imprudência" e pediu que não fosse interpretado como se estivesse enfrentando o governo.Na verdade, tanto no mercado quanto em diferentes setores do governo, as palavras de Prat-Gay foram interpretadas como uma "bronca" pelo decreto que cria a comissão responsável pela reestruturação do sistema financeiro, a qual coloca o Ministério de Economia com o mesmo peso que o Banco Central, cada um com três representantes. Além disso, há um artigo que deixa aberta a possibilidade de que o governo conceda à comissão "atribuições adicionais", o que é lido pelo mercado e pelo BC como uma brecha para que a chamada Unidade de Reestruturação do Sistema Financeiro (URSF) tome para si tarefas que são exclusivas da autoridade monetária, o que colocaria sua independência em risco.Tanto Prat-Gay, quanto Lavagna acreditam que a missão de conduzir o processo de reestruturação do sistema deve ser deles. O primeiro argumenta que é o Banco Central que deve cuidar disso, enquanto o segundo afirma que a política econômica é da alçada de sua pasta e o assunto faz parte da mesma. Roberto Lavagna pretende ser o presidente da comissão, o que deixou Alfonso Prat-Gay bastante indignado, segundo uma fonte do Banco Central. Mas o que mais preocupa Prat-Gay, diz a fonte, é a Superintendência de Entidades Financeiras, do BC, que fiscaliza e disciplina o sistema financeiro, um trabalho que acabaria passando para a esfera da comissão, o que interfere e reduz a independência do Banco. Porém , outra fonte, desta vez do Ministério de Economia, explica que do jeito que a Superintendência está, assim como algumas diretorias, o BC não tem condições de trabalhar em favor do modelo que Roberto Lavagna busca, nem a favor consolidação de um sistema financeiro melhor para o país. A questão é que ainda existem funcionários do BC remanescentes do ex-presidente Carlos Menem e de seu fracassado sucessor, Fernando de la Rúa, e seu ex-ministro Domingo Cavallo.No Ministério de Economia, diversas fontes tratam de apaziguar os ânimos ao dizer que as relações entre Prat-Gay e Lavagna são boas e que o ministro não pedirá sua cabeça, mas não disseram o mesmo sobre o presidente Néstor Kirchner. Prat-Gay não tem nenhuma relação com Néstor Kirchner e suas declarações foram exatamente o contrário da filosofia presidencial: "em boca fechada não entra mosquito". Analistas e banqueiros acreditam que Kirchner não deverá remover Prat-Gay porque é um economista "respeitado no exterior e tem feito um bom trabalho à frente do Central" , mas consideram que se houver uma troca, a reação será muito negativa nos mercados.

Agencia Estado,

30 de maio de 2003 | 11h21

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