Lavagna em dificuldades com o FMI

A Câmara dos Deputados da Argentina travou a aprovação das leis exigidas pelo Fundo Monetário Internacional, complicando ainda mais as negociações entre o governo e o organismo. O oficial Partido Justicialista (PJ), fracassou na sua tarefa de convencer a bancada da União Cívica Radical (UCR) a discutir e aprovar dois projetos de lei: um que dispõe de financiamento extra do Tesouro por parte do Banco Central, através de mudanças em sua Carta Orgânica; outro, que estabelece a compensação aos bancos pela pesificação assimétrica da economia, bem como a eliminação do indexador CVS (Coeficiente de Variação Salarial), que ajusta determinados créditos bancários, a partir de 2004. Ambos projetos são cruciais para o Ministério de Economia avançar nas negociações com o FMI mas não foram os únicos que deixaram o ministro Roberto Lavagna em maus lençóis. Os deputados também deixaram de lado o pacote antievasão que, junto aos demais, deverão ser tratados na próxima quarta-feira. A postergação das matérias de vital interesse do governo foi provocada por dois problemas: de um lado, o justicialismo não conseguiu a maioria de sua bancada para enfrentar o radicalismo que pretende aprová-las com mudanças; de outro, Roberto Lavagna que, intransigente, não aceita mudar nenhuma vírgula em seus projetos para que sua aprovação final não se prolongue por mais tempo.FMI vai ficar à espera de notíciasA preocupação de Lavagna se deve, fundamentalmente, a necessidade de rapidez para concluir as negociações com o FMI. Para esta quinta-feira, ele tinha planejado enviar sinais positivos à Washington com a aprovação dos projetos de lei na Câmara, faltando somente a votação do Senado. Ao contrário, de Buenos Aires, a diretoria do FMI receberá somente os sinais de fumaça da fogueira da crise entre o presidente Néstor Kirchner e o vice Daniel Scioli, a qual parece longe de arrefecer-se, e de um Congresso lento com as leis pedidas pelo governo. Segundo fonte do Ministério de Economia, Lavagna está muito decepcionado porque a diretoria do FMI pretende realizar uma reunião informal, nesta quinta-feira, para avaliar o rascunho da carta de intenção, redigido pela equipe econômica e a missão do organismo no fim de semana passado.

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