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Lavagna está cansado das negociações com o FMI

Visivelmente farto das intrincadas negociações com o Fundo Monetário Internacional, o ministro de Economia da Argentina, Roberto Lavagna, partirá hoje à noite para Washington com o objetivo de acelerá-las. O secretário de Finanças, Guilhermo Nielsen, já se encontra nos Estados Unidos, em conversações com o FMI. Apesar do otimismo do mercado, refletido na estabilidade do câmbio com tendência de baixa, em relação à proximidade do acordo com o FMI, diferentes fontes do Ministério de Economia indicaram à Agência Estado que há um certo pessimismo dentro da equipe econômica porque as diferenças entre o governo e o organismo persistem. A falta de esperança de um acordo antes do dia 14 próximo, quando vence a parcela de US$ 805 milhões de dólares de uma dívida com o Banco Mundial, começa com o próprio ministro que já chegou manifestar aos seus assessores mais íntimos o quanto está cansado deste "vai ou não vai" e que a "esta altura do campeonato, o melhor que pode acontecer é que não haja acordo".Uma destas fontes explicou que embora esteja negociando, Lavagna acredita que o acordo com o FMI não vai alterar muito o atual quadro da Argentina. "De qualquer forma já estamos gastando as reservas para honrar nossos compromissos, mas também temos recuperado nossas reservas com as operações do Banco Central no mercado de câmbio que se mantém estável há pelo menos dois meses. Além disso, a inflação deixou de crescer (a última, de outubro, foi de 0,2%), alguns setores da indústria estão despontando e os sinais de melhoria da economia são visíveis. Ou seja, tudo isso, conseguimos sem um acordo com o FMI. Se chegar a sair será bem vindo mas não precisamos implorar por isso ou prometer o que não podemos cumprir", ilustrou a fonte. O ministro recrimina o FMI por exigir pautas irrealistas, impossíveis de serem cumpridas, e critica também os seus antecessores por aceitarem estas pautas e depois ter de pedir "waivers". Somente em 97, a Argentina pediu 17 perdões e deixou de cumprir cinco dos sete acordos assinados.DesabafoOutra fonte confirmou à AE que o real fundo para tantas diferenças e demoras por parte do FMI se deve ao verdadeiro fato de que a diretoria do organismo não deseja fechar nenhum acordo com o atual governo, prefere esperar o novo presidente a ser eleito no ano que vem. "Por isso, ficam numa negociação sem fim para ganhar tempo até entrar o novo presidente", reclamou a fonte. "O pior de tudo é que são tão contraditórios, que chegam ao ponto de exigir do Executivo o controle sob o Judiciário e o Legislativo, sem levar em conta a democracia que parte do princípio da independência dos Três Poderes, oras", reclama a fonte, que faz parte da equipe econômica.O desabafo é explicado pelo fato de o processo negociador estar durando mais de 10 meses e de sempre "aparecer" uma nova pedra no caminho do governo, impedindo a concretização do acordo. Além disso, o FMI insiste em que o governo tem de resolver o problema dos processos judiciais que permitem os saques dos prazos fixos do "corralito", tema que compete ao Judiciário.A dura posição do FMI tem sido criticada por todos os economistas argentinos e não argentinos. A maioria dos analistas argentinos acredita que o acordo sairá porque para o FMI e os demais organismos internacionais, não interessa a moratória argentina com estes. Daí, vem o otimismo do mercado que acredita que o FMI vai esticar a corda até onde não puder mas no final cederá. Pelo sim, pelo não, o otimismo do governo já começa a minguar e os funcionários estão evitando fazer comentários sobre data, um erro cometido ao longo de todos estes meses de negociação.

Agencia Estado,

12 de novembro de 2002 | 09h13

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