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Lavagna estuda medidas contra capitais especulativos

O Presidente eleito da Argentina, Néstor Kirchner, confirmou que sua equipe econômica, liderada pelo ministro de Economia, Roberto Lavagna, está estudando mecanismos para limitar a entrada de capitais especulativos de curto prazo que afetam o preço do dólar. A Argentina adotará o modelo chileno de controle de capitais, utilizado nos anos 90, o qual impõs um prazo mínimo de permanência destes capitais.Tanto Roberto Lavagna, quanto seu colega Nicolás Eyzaguirre, ministro de Economia do Chile, defendem uma proteção maior para aos países latinos contra os capitais especulativos que voltaram a "requentar o mercado de capitais latino-americano, por conta do pânico da pneumonia asiática, facilitando o retorno dos fundos à região, impactando na revalorização das moedas locais", como explicou Eyzaguirre durante um seminário realizado na semana passada, em Buenos Aires, com a participação também do ministro brasileiro de Planejamento, Guido Mantega.Na ocasião, Lavagna manifestou preocupação com a "bolha financeira" criada pelos capitais especulativos que estão voltando ao Brasil, Argentina e outros países latinos. "O perigo dessa bolha é que cria um ilusão de apreciação da moeda, de aumento dos ativos financeiros e uma sensação de bem-estar que não condiz com a situação real porque os fundos saem e a gente cai", ilustrou Lavagna completando que quando isso ocorre, a moeda se desvaloriza, assim como os ativos, os preços nominais sobem, o salário cai e a pobreza se acentua. Esses fundos estão retornando mesmo com os países mencionados ainda em crise, porque recebem uma alta de juros ou obtém lucros elevadíssimos. Contam com a capacidade de inflar os ativos financeiros sem correr o risco de uma depreciação da moeda já que existe uma abundância de dólares pelo alto superávit comercial. O discurso de Lavagna deixou entrever sua intenção mas perguntado pela Agência Estado sobre medidas contra os capitais especulativos, o ministro negou qualquer estudo.Mas Lavagna recebeu luz verde de Néstor Kirchner para elaborar medidas de controle de capitais, as quais deverão ser umas das primeiras a ser anunciadas. No ministério de Economia não se confirmou a medida que está sendo estudada com muita reserva, mas no último sábado, o presidente eleito confirmou a elaboração da mesma. Lavagna pretende aproveitar que o dólar está chegando no patamar que ele considera ideal para a Argentina, entre 3,00 a 3,20 pesos, para lançar as medidas. Os capitais especulativos operam contra o objetivo do governo de manter o dólar alto. Na verdade, as medidas monetárias clássicas, adotadas pelo Banco Central, há algumas semanas, já fazem parte do plano de Lavagna contra os capitais especulativos, como a redução das taxas das Letras do Banco Central (Lebac), que já caíram pela metade. Como os fundos vêm em busca de juros altos, a queda das Lebac foi o início de uma limitação mas as taxas de juros na praça argentina ainda estão atrativas, como 15% anual para depósitos de 60 dias ou 90 dias.Pelo modelo chileno, o capital que entra no país, a exceção de investimentos diretos como a compra de uma empresa ou imóvel, deve permanecer um tempo mínimo estipulado, não menos de seis meses, e se sai antes do período deve pagar uma multa.Analistas projetam leve alta do dólarO mercado de câmbio nesta semana deverá registrar um comportamento de leve alta mas sem movimentos brucos no valor da cotação da moeda, conforme estimam os analistas. O mercado teria um número maior de exportadores para liquidar suas divisas, o que aumentaria a oferta, e menos compradores, já que a entrada de dinheiro do exterior deu uma freada diante da falta de incentivo das taxas de juros. A projeção é de um dólar na casa dos 2,90 a 3,05 pesos. Na semana passada, a retração na liquidação de divisas por parte das empresas exportadoras e o desalento à entrada de capitais por conta da baixa na taxa de juros, mais as declarações do novo Presidente contra o sistema financeiro e alguns grupos financeiros, o dólar teve uma alta de quase 7% em somente três dias (2,98 venda e 2,92 compra). Para o analista Eduardo Blasco, da consultoria Maxinver, "a recuperação do dólar responde mais às questões técnicas que políticas porque as razões estruturais não mudaram". Ele lembra que enquanto "não se renegocie a dívida, a Argentina vai ter dólares de sobra e isso ninguém desconhece no mercado cambial"."O menor volume de liquidações da semana passada, seguramente, cairá como uma chuva nos próximos dias e isso poderia derrubar a cotação, embora depois pode haver uma alta para ficar entre 2,90 ou 2,95 pesos", opinou o especialista da consultoria Argentine Research, Rafael Ber. Ele considera que as declarações de Néstor Kirchner funcionam como um sinal para o mercado, mas estimou que se consolidar-se o fator político, o dólar poderia estabilizar-se entre 2,90 e 3,05 pesos. "Na verdade, não acredito que a cotação vai disparar nem para cima, nem para baixo", concluiu. Para o economista Norberto Sosa, de Raymond James, sociedade de Bolsa e banco de investimento norte-americano, "não haverá nenhum tremor, nenhuma reação extrema dos mercados cambial e de ações porque a presença de Roberto Lavagna no Ministério de Economia é um sinal de continuidade das grandes linhas da política econômica". Ele ressalta que as oscilações do mercado começaram com a redução, na última semana, da entrada de divisas, pela incerteza, e a baixa de taxas de juros. Além disso, destaca que "o discurso de Kirchner gerou preocupação, embora Lavagna tenha uma agenda econômica que o mercado conhece, porque foi interpretado por alguns investidores como uma certa desautorização do presidente ao ministro". Apesar de não apostar em mudanças bruscas no mercado, ele acredita que haverá um movimento nervoso, já que haverá oferta de dólares somente por parte dos exportadores, sem a participação das divisas do exterior e uma demanda ansiosa.

Agencia Estado,

19 de maio de 2003 | 07h37

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