Lavagna já pensa em "plano b"

O ministro de Economia, Roberto Lavagna, já está pensando num plano alternativo frante a um possível "não definitivo" do Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma fonte oficial revelou à Agência Estado que o organismo dará uma última chance para que o governo se enquadre dentro das exigências e, assim, chegue a um acordo stand by. O chefe da missão, John Thornton, deu a entender em sua reunião com o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, na última terça-feira, que o FMI deverá enviar na próxima semana um rascunho do acordo contendo os compromissos que o organismo quer da Argentina. O rascunho será na base do "pegar ou largar". Antes, Lavagna teve seu texto rejeitado pela número dois do FMI, Anne Krueguer, há uma semana, e agora, terá que adaptar-se às exigências, caso contrário, o FMI dará por encerradas as tratativas com a Argentina, disse a fonte. O rascunho terá como pontos centrais a política monetária, na qual não deverá haver emissão para ajudar os bancos; a disciplina fiscal; a reforma do sistema financeiro; e o fim do "corralito", no que diz respeito às contas correntes e poupança, acompanhado de uma reprogramação das aplicações de prazo fixo , chamadas de "corralão", onde está o grosso dos depósitos. Neste sentido, o FMI aprovaria a reabertura da troca de titulos por depósitos, como planeja fazer o ministro Lavagna a partir da próxima semana. Se a troca voluntária não tiver um número elevado de adesões, no entanto, o FMI defende a troca compulsória. O texto deverá mencionar a continuidade da política monetária até o final do ano que prevê um nível de reservas entre US$ 9 e US$ 10 bilhões, com um dólar a 3,55 pesos. Porém, a partir do ano que vem, o país deverá adotar o regime de metas de inflação, a exemplo do que faz o Brasil. Restrições ao câmbioNão se sabe ainda como seria o plano B do ministro Roberto Lavagna. Apenas que ele se referiu a "planos alternativos" diante da demora do FMI durante as conversas que manteve, por telefone, com Anne Krueguer e Anoop Singh , diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental. As normas de restrição de compra e venda de dólares adotadas ontem já são parte destes planos alternativos. Tanto que vão contra a doutrina do FMI de deixar a moeda flutuar totalmente livre e deixar o mercado de câmbio sem interferências. Uma fonte do Banco Central informou que na reunião que John Torhnton teve ontem com a equipe econômica no BC , ele disse que tais normas não fazem parte do pensamento do FMI e que as mesmas deveriam deixar de existir depois do acordo firmado.Outra medida de planos alternativos deverá sair da Casa Rosada. As informações que correm entre os governadores e os corredores do palácio de Governo, dizem que o presidente Eduardo Duhalde pretende emitir moeda para assumir os compromissos com as dívidas. "Se não chegarmos à um acordo, fiquem tranquilos que o plano B é emitir e pagarmos tudo", teria dito o presidente a um grupo de governadores com quem se reuniu na última terça-feira. A emissão é um dos pontos mais rejeitados pelo FMI. John Torhton deverá reunir-se com o ministro hoje e seguir para Washington. Enquanto isso, o board do FMI se reunirá hoje e aprovará a postergação por um ano do vencimento da dívida de US$ 2,7 bilhões que venceria amanhã.Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.