Lavagna não quer usar reservas para pagar FMI

O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, teria a intenção de não recorrer às reservas internacionais do Banco Central para realizar o pagamento das dívidas que possui com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Inter-americano de Desenvolvimento (BID), no total de US$ 1,75 bilhão. A informação, extra-oficial, indica que a intenção do ministro seria a de pressionar o organismo financeiro a fechar um acordo financeiro o mais rápido possível antes do dia 15 de julho, quando vence a primeira dívida, de US$ 1 bilhão, com o FMI. Se este pagamento não for realizado, a Argentina se transformaria no segundo país na História mundial a dar o calote da dívida com organismos financeiros. Isso poderia causar embargo de bens argentinos no exterior, como mercadorias e contas bancárias. Em dezembro, o governo argentino decretou o default (não pagamento) da dívida externa pública, mas preservou os organismos financeiros desta suspensão de pagamentos. Mas, de dezembro para cá, a Argentina ainda não conseguiu um acordo com o Fundo que permitiria que a dívida deste ano e do 2003 fosse rolada para depois do ano 2004. Por este motivo, nos últimos meses, para pagar os organismos financeiros internacionais, a Argentina teve que recorrer às exauridas reservas do Banco Central, que estão sendo drenadas diariamente por causa das intervenções que o governo precisa fazer no mercado cambial para deter a escalada do dólar. O problema para o governo, é que tanto o pagamento da dívida como as manobras para conter a moeda americana fizeram que as reservas internacionais do BC caíssem para baixo do "limite psicológico" de US$ 10 bilhões. Desde a semana passada, as reservas estão em US$ 9,94 bilhões. O governo do presidente Eduardo Duhalde está preocupado com a pouca pressa do FMI em fechar um acordo com a Argentina. Por este motivo, Lavagna, em uma conversa com o novo chefe da missão do FMI para a Argentina, o inglês John Thorton, teria afirmando que "a negociação não pode ser eterna". Mas por enquanto, não há sinais claros de que as negociações poderiam transcorrer a passo acelerado nas próximas semanas. O FMI chegou na semana passada em Buenos Aires com mais exigências, além de insistir no cumprimento das promessas feitas pelo governo Duhalde, mas ainda não cumpridas. Enquanto isso, o ex-presidente Raúl Alfonsín, "líder espiritual" da União Cívica Radical (UCR), o maior partido da oposição, o qual controla com mão-de-ferro, causou mais polêmica ontem ao declarar que possui "a impressão de que o FMI não possui muita vontade de ajudar" a Argentina. Alfonsín afirmou que o Fundo Monetário está dando "maus conselhos" e que o organismo financeiro é de "super-direita". O ex-presidente também admitiu que se o FMI não conceder a ajuda financeira para o país, a Argentina "terá problemas". Em declarações ao jornal "La Nación", Alfonsín afirmou que "as circunstâncias poderiam cansar o atual presidente (Eduardo Duhalde), ou que imaginasse que o FMI não quer fechar o acordo com ele, o que poderia levá-lo à renúncia".

Agencia Estado,

16 de junho de 2002 | 19h40

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