Lavagna pedirá aos EUA que não pressionem novo governo argentino

O ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, pedirá ao governo dos Estados Unidos que intervenha junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para que "não pressione o novo governo". O próximo presidente da Argentina, que será eleito em abril, tomará posse em maio. Lavagna espera que o novo governante não tenha uma estréia turbulenta no cargo.O ministro levará esta mensagem a Washington nesta semana, quando participará de reuniões com o sub-secretário do Tesouro dos EUA, John Taylor, e com integrantes do FMI, do Banco Mundial (Bird) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). "Seja lá quem vencer as eleições presidenciais, que não seja pressionado. Não quero surpresas, como um pedido de mais superávit ou um ajuste de 50% nas tarifas dos serviços públicos privatizados. Quero que o FMI faça como fez com o Brasil", explicou Lavagna.No entanto, segundo o ministro, ao contrário do caso brasileiro, o FMI não poderá pedir aos candidatos presidenciais que apresentem consenso sobre o acordo. "Até agosto (quando termina o atual acordo provisório com o Fundo) não dá para pedir nada mais", disse ele.Desta vez a viagem de Lavagna terá um tom mais político do que financeiro, por conta das especulações em torno da candidatura do ministro a vice-presidente do candidato presidencial Néstor Kirchner, governador da província de Santa Cruz. Kirchner, que nas últimas semanas está despontando em primeiro lugar nas pesquisas sobre intenções de voto, é a última cartada do presidente Eduardo Duhalde para derrotar nas urnas seu inimigo, o ex-presidente Carlos Menem (1989-99).Os rumores em Buenos Aires dão conta de que ter Lavagna como vice seria um trunfo para Kirchner. O ministro ostenta a melhor imagem pública de todos os integrantes do gabinete de Duhalde, além de contar com o respeito do establishment. "Comparado com o histérico ex-ministro Domingo Cavallo, o inexistente José Luis Machinea e o pusilânime Jorge Remes Lenicov, Lavagna acaba se destancando, mesmo sem grandes méritos além de ter conseguido uma frágil estabilidade econômica", dizem analistas políticos.Lavagna também irá à Washington para tentar conseguir uma fácil aprovação por parte do Fundo da primeira revisão das metas fiscais argentinas. Esta revisão está marcada para uma época complicada, no dia 14 de março, quando o país estará submerso no meio da campanha eleitoral, que promete ser turbulenta.BIDO presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, declarou que até esta quarta-feira o organismo financeiro aprovará um crédito de US$ 1,5 bilhão para a Argentina, destinado a programas sociais. Segundo Iglesias, a intenção é a de aprovar outro crédito, de US$ 1 bilhão, para o segundo semestres deste ano.O chefe do gabinete de ministros, Alfredo Atanasof, declarou que a arrecadação tributária de janeiro bateu "recordes históricos" e chegou "a mais de 5,5 bilhões de pesos (US$ 1,70 bilhão)". Desta forma, a Receita Federal conseguiu superar a meta prometida ao FMI, que era de 5,1 bilhões de pesos (US$ 1,57 bilhão). Segundo Atanasof, o aumento foi causado pela "recuperação de algumas atividades econômicas". No entanto, os analistas afirmam que a alta foi causada pelos efeitos da inflação, além das retenções sobre as exportações, um imposto que não era aplicado no início do ano passado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.