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Lavagna promete empenho para "retirar o risco da hiperinflação"

O ministro da Economia, Roberto Lavagna, declarou hoje que a prioridade do país é "trabalhar para retirar o risco da hiperinflação". "A situação é crítica", admitiu. Vários analistas econômicos concordam com Lavagna. A inflação, afirmam, poderá este ano facilmente ultrapassar 60%. E eles não descartam a possibilidade de que ela atinja os 100%. A meta anual, prevista no Orçamento Nacional, era de 15%. No entanto, como admitiu o próprio chefe do gabinete de ministros, Alfredo Atanasof, a inflação de abril teria sido de 10%. Desta forma, a inflação acumulada dos primeiros quatro meses do ano chega a 20% - os 15% previstos já foram vencidos em apenas 120 dias, o que reforça a previsão mais sombria dos analistas.Em 1989, a Argentina enfrentou uma hiperinflação de 4.923,6%. A memória destes tempos sombrios está muito fresca na lembrança do país. Naquela época, 75% dos atuais adultos do país já eram maiores de idade e sofreram os efeitos da hiperinflação na própria carne."A hiper", sentencia o analista Julio Nudler, "está logo ali na esquina".Ele acredita que a situação de Lavagna, que assumiu o cargo há somente nove dias, poderá ficar insustentável, já que o Fundo Monetário Internacional (FMI) prescreveu para a Argentina que o combate à inflação seja feito somente através da política fiscal e monetária. O ministro descarta taxativamente a possibilidade de realizar controles de preços: "a polícia não pode ficar de olho nos preços", enfatizou.O reajuste dos salários, para que acompanhem a inflação, também está descartado: "Os salários podem ser discutidos livremente, pois não há nenhuma restrição de caráter estatal. Mas simplesmente não é possível existir discussão sobre salários quando o desemprego atinge 24% da população economicamente ativa e existem outros 24% de sub-emprego."Segundo a Fundação Capital, "é imprescindível conseguir a estabilidade cambial para evitar uma espiral inflacionária". A Fundação sustenta que o aumento da inflação nos últimos meses "é o custo por se ter desvalorizado a moeda".No início do ano, o governo determinou o fim da conversibilidade econômica, que durante uma década estabeleceu a rígida paridade um a um entre o peso e o dólar. No entanto, com a desvalorização a cotação do dólar chegou a 3,25 pesos na sexta-feira passada.Alguns setores sofrem com a inflação e com a perspectiva de que ela piore. Segundo o Colégio de Farmacêuticos e diversas associações de médicos, enquanto a inflação foi de 20% desde o início do ano, os preços dos produtos made in Argentina aumentaram em média 60%. Alguns medicamentos chegaram a 350%. "Corralito"A equipe econômica prepara os últimos detalhes de um plano para terminar com o "corralito" (semicongelamento de depósitos bancários) em um período de 60 a 90 dias. A idéia do governo é a de entregar bônus em troca dos prazos fixos confiscados. Um dos bônus seria em dólares e teria dez anos de prazo. Outro, em pesos, teria prazo de cinco anos. Ambos seriam compulsórios.Além disso, seria criado um bônus voluntário, aplicado às contas correntes semicongeladas. Hoje, o presidente Duhalde assinaria um decreto para a eliminação do impopular Coeficiente Econômico de Referência (CER). Criado há dois meses, esse coeficiente permitiria, a partir de agosto, fortes reajustes nas dívidas hipotecárias, créditos e aluguéis. Por isso, provocava protestos semanais dos endividados. Com o decreto, o CER passa a existir somente para dívidas empresariais.RecordeA grave crise econômica argentina causou em abril um recorde negativo - e triste - na venda de automóveis, que demonstra um estancamento sem precedentes no setor. Segundo Guillermo Dietrich, presidente da Câmara de Comércio Automotivo, nas concessionários de toda a Argentina não foi vendido um único automóvel na segunda quinzena de abril.ImagemUma pesquisa da consultora Equis indica que 84,1% dos habitantes de Buenos Aires têm imagem negativa do governo do presidente Eduardo Duhalde. Entre os demais, somente 3,4% têm visão positiva. A pesquisa também indica que o presidenciável com maior número de intenções de voto é o deputado comunista Luis Zamora, com 13,5%. Nos últimos meses, Zamora destacou-se por ser um feroz crítico da política econômica dos vários presidentes que passaram pela Casa Rosada, a sede do governo, desde dezembro passado.Duhalde, se pudesse candidatar-se a uma hipotética eleição presidencial, hoje, obteria apenas 1,3% dos votos. A segunda colocada no ranking dos presidenciáveis é a deputada Elisa Carrió, líder do Argentinos por una República de Iguales (ARI), com 12,7%. O terceiro colocado é o ex-piloto de Fórmula 1, Carlos Reutemann, do Partido Justicialista (Peronista) e atual governador da província de Santa Fe, com 8,2%. Leia o especial

Agencia Estado,

05 de maio de 2002 | 22h46

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