Lavagna tenta acelerar negociação com FMI

O ministro de Economia da Argentina, Roberto Lavagna, começará a semana com mais uma tentativa de convencer o Fundo Monetário Internacional (FMI) a enviar, o mais rápido possível, a missão negociadora para produzir o rascunho do novo acordo com o país. Hoje, às 17h30, Lavagna voltará a conversar, por telefone, com a vice-diretora gerente do organismo, Anne Krueger, que deverá marcar uma data para o envio da missão. O governo ainda deve ao FMI o cumprimento de alguns pontos que fazem parte das três exigências básicas para que o acordo seja assinado. Um deles diz respeito ao veto presidencial que está faltando à Lei de Subversão Econômica. Apesar de ter sido revogada, alguns artigos da lei foram transferidos para o Código Penal, o que está preocupando o FMI. Outra conta pendente tem a ver com a assinatura do acordo bilateral entre a União e as províncias para a redução do déficit fiscal, já que ainda faltam alguns governadores para assiná-lo. O FMI também estaria esperando a apresentação do programa monetário que o ministro fará na próxima quarta-feira à bancada do Partido dos Justicialistas (PJ), na Câmara dos Deputados. LimiteSegundo informações do Banco Central, o programa elaborado pela instituição manterá o limite de 1 bilhão de pesos de emissão monetária para financiar o governo. Vale lembrar que se isso for confirmado, a margem para o caixa do Tesouro ficará limitada à 300 milhões de pesos ante os 700 milhões já emitidos e consumidos de janeiro até o momento. Fontes do Ministério de Economia afirmam que desta vez a negociação está emperrada por problemas com Anoop Singh, o chefe da missão encarregada do caso argentino. Singh é contra o plano para sair do "corralito" nos moldes do que foi lançado pelo governo. Ele é defensor de uma troca compulsória dos depósitos por títulos e que o BC deixe de emprestar dinheiro para salvar os bancos. Maior emissão monetáriaAnoop Singh acredita que o plano do governo levará à uma maior emissão monetária. Por isso, o FMI quer ver o programa monetário que o governo, na verdade, poderá desenhá-lo somente após o dia 16 de julho, prazo final para que os depositantes optem pela troca de seus depósitos por bônus.Depois desta data, a equipe econômica poderá saber quanto os bancos necessitarão para devolver os depósitos que aderirem ao programa. Além do mais, se o acordo não sair antes disso, julho já será tarde para a Argentina que no dia 15 acabará sendo obrigada a enfrentar o pagamento de US$ 1,7 bilhão com as reservas do Banco Central.Os analistas acreditam ser muito arriscado para a estabilidade do governo deixar que as reservas caíam mais que os atuais US$ 10 bilhões porque o BC perderia sua capacidade para controlar a disparada do dólar. A permanência do presidente Eduardo Duhalde depende de sua capacidade para conseguir fechar o acordo com o FMI e não permitir uma desvalorização descontrolada do peso. Lula preocupa FMIUm dos analistas consultados disse que o FMI deverá antecipar seu próprio tempo porque estaria preocupado com a região, devido às situações do Brasil e do Uruguai. O avanço de Lula nas pesquisas de opiniões, no Brasil, e as complicações políticas e econômicas do Uruguai somadas à situação da Argentina poderiam formar um coquetel explosivo para a região.Leia o especial

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