Lavagna vai discutir caso Petrobras com Palocci

O conflito que o governo argentino abriu contra a empresa brasileira Petrobras entrará na pauta da reunião que os ministros de Economia, Roberto Lavagna, e da Fazenda, Antônio Palocci, terão amanhã (quinta-feira), em Brasília. Há cerca de um mês que o presidente Néstor Kirchner vem pressionando a Petrobras a investir US$ 250 milhões na ampliação do gasoduto San Martin. Porém, na última sexta-feira, o governo ameaçou tirar a concessão dos gasodutos da TGS (Transportadora de Gás do Sul), controlada pela Petrobras Energia, se a empresa não aceitar a realização do investimento. Para o governo, a mencionada obra faz parte de um plano oficial de ampliação dos gasodutos para evitar uma nova crise energética em 2005. O governo quer que a rede de transporte de gás chegue em 2006 com uma capacidade de seis milhões de metros cúbicos/dia. O gasoduto San Martin é considerado pelo governo como "uma salvação" porque sua ampliação poderá garantir o fornecimento de gás para as principiais zonas do país. "A Repsol YPF já aceitou realizar investimentos de US$ 100 milhões na construção de dutos na região patagônica. Mas a Petrobras está reticente", disse uma fonte do governo argentino, que também explicou que existe uma luta de poder entre Petrobras e Techint. Essa última também disputaria a obra. "Esse assunto vai ser decididido em nível ministerial, na reunião que Lavagna terá amanhã com Fortes", disse a fonte. O ministro Lavagna estaria fazendo o lobby da Techint para uma espécie de parceria, na qual a empresa argentina construiria o gasoduto e a petrolífera brasileira entraria com os recursos financeiros, segundo explicou a fonte do mercado. O interesse particular do presidente Néstor Kirchner, segundo essa mesma fonte, teria dois motivos: evitar uma crise que abalaria sua imagem, como ocorreu em maio deste ano, e prover a Patagônia com um novo gasoduto que corre pela região nativa do presidente.

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