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LAVOURA GAÚCHA SENTE O IMPACTO CLIMÁTICO

O anúncio feito nesta semana pela Organização Meteorológica Mundial, ligada à ONU, de que El Niño deve se fortalecer e chegar a patamares nunca antes registrados está assustando os produtores rurais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o fenômeno climático foi o responsável por um inverno e uma primavera com chuvas acima da média. Isso fez com que muitas lavouras fossem perdidas.

Lucas Azevedo, ESPECIAL PARA O ESTADO, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2015 | 02h01

É o caso de Nova Santa Rita, município de 26 mil habitantes na região metropolitana de Porto Alegre. Com grande parte de sua economia vinda da agricultura - a cidade tem quatro assentamentos de reforma agrária -, Nova Santa Rita contabilizou prejuízos em suas plantações da ordem dos R$ 5 milhões por causa dos temporais e da queda de granizo dos últimos meses.

"O maior problema foi registrado no período da plantação, no fim do inverno, que foi muito quente. As plantas floresceram, mas quando esfriou veio abortamento das flores. Nas hortaliças, o problema foi na falta de incidência solar pelo excesso de chuva. E quando não estava chovendo, os dias estavam nublados. Isso afetou gravemente a produção", diz a engenheira agrônoma da Emater-RS, Caroline Kolinski de Lima.

Uma das culturas mais prejudicadas foi a do melão. A cidade, que já foi considerada a maior produtora do fruto no RS, teve de cancelar sua festa bianual por causa da falta de frutas. "A colheita do melão vai atrasar porque ele está sendo replantado. Vai ser colhido até fevereiro, quando o normal é em dezembro", avalia Caroline.

Daniel Silveira da Rosa é produtor rural. Ele estima que perdeu cerca de 95% dos seis hectares de melão que plantou. "Era para colher de 100 a 120 toneladas. Devo colher no máximo 5 mil. Ficaram as dívidas. Agora vamos plantar outra coisa para tentar pagar as contas, porque não sei nem como fazer. A gente investe o que a gente tem, pega um pouco do banco achando que vai conseguir colher e vender, e dá nisso."

Para diminuir o prejuízo, o agricultor pretende aproveitar e plantar neste fim de ano outras culturas em menor quantidade, como pimentão e berinjela. Replantar o melão ele descarta. "Não vai vender. Não adianta plantar agora porque se comercializa fora de época. Não tem como vender melão em fevereiro e março."

Agricultura familiar. Segundo a Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos, de Nova Santa Rita, o prejuízo com perda total e parcial na agricultura familiar está estimado em R$ 1 milhão, apenas por causa dos temporais nos dias 14 e 15 de outubro.

Somente na área dos quatro assentamentos (Sino, Itapuí, Capela e Santa Rita de Cássia II), a cooperativa calcula que 60 hectares de lavouras de hortaliças com plantio orgânico tenham sido totalmente destruídos, afetando diretamente cerca de 100 famílias. A produção tinha como destino a venda para o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o Programa de Aquisição de Alimentos - ambos do governo federal -, feiras municipais e outros mercados.

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