LCA associa emprego a inflação menor e vagas defasadas

A inesperada redução da taxa de desemprego para 5,3% de agosto na Pesquisa Mensal de Emprego pode estar relacionada a defasagens na geração de empregos na construção civil, comércio e serviços, além da queda da inflação, o que melhorou a renda disponível e o volume de compras de parte da população. A avaliação é do economista da consultoria LCA Fábio Romão.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

26 de setembro de 2013 | 18h52

Ele destacou que em julho o nível de chuvas ficou acima do esperado, o que pode ter postergado a realização de obras de construção civil para o mês seguinte. Ele também ponderou que em junho ocorreu o pico da inflação acumulada em 12 meses (6,7%) e, de lá para cá, o indicador apresenta redução do ritmo.

"Isso corrobora os bons resultados do varejo em julho, o que pode ter gerado efeitos favoráveis sobre o mercado de trabalho adiante", ressaltou. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo subiram 1,9% no primeiro mês do segundo semestre, resultado superior à elevação de 0,20% relativa à mediana das previsões apurada pelo AE Projeções.

De acordo com Romão, as manifestações em grandes capitais por melhores serviços públicos, ocorridas em junho, podem ter retirado um pouco da força da geração de postos de trabalho no comércio e serviços naquele período, o que estaria sendo recuperado em agosto. Ele aponta que há uma correlação grande entre o desempenho do rendimento médio real habitual e a redução da inflação.

Em junho, o IPCA atingiu o pico de 6,7% em 12 meses e aquele indicador de renda avançou 0,8%. No mês seguinte, a inflação desacelerou para 6,3% e o rendimento real subiu 1,5%. "Em agosto, o IPCA atingiu 6,1% no acumulado em 12 meses e o rendimento médio real manteve um patamar positivo, com alta de 1,3%, muito próxima do que foi registrado em julho", comentou.

Na avaliação do economista, há uma colaboração marginal do desalento de trabalhadores para a redução do ritmo da população economicamente ativa (PEA), que subiu 1,7% em julho ante o mesmo mês de 2012 e avançou 1,2% em agosto pelo mesmo critério de comparação. Ele salienta que, em março e em abril, a taxa apresentou uma alta de 0,6%, enquanto subiu 0,1% em maio e aumentou 0,7% em junho. No entanto, acredita que pode ter exercido maior influência para a redução da velocidade da PEA uma diminuição do ritmo de alta da população em idade ativa (PIA), o que estaria ocorrendo pela redução na velocidade de nascimentos no País. Segundo ele, a PIA cresceu 1,6% em 2008, subiu 1,2% em 2012 e apresentou uma alta de 0,9% entre janeiro a agosto deste ano.

Para Fábio Romão, a moderação do ritmo de atividade, que pode ser medida pelo morno desempenho do PIB nos últimos três anos, indica que o "ponto alto" do mercado de trabalho já passou. Como a taxa de desemprego está baixa e o crescimento do nível de atividade é modesto, ele estima que a taxa média de desocupação, medida pelo IBGE, deva ficar estável em 5,5% neste ano ante 2012. "Contudo, é possível esperar que essa taxa deva subir para 5,7% em 2014."

Na sua opinião, a velocidade abaixo do potencial do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 e 2013 desestimula os empresários a aumentar o contingente de funcionários. O PIB avançou 0,9% no ano passado e ele estima que deverá subir 2,6% neste ano. E um indicador que não é favorável para uma alta expressiva do consumo, e indiretamente da produção de mercadorias, é a perspectiva de inflação: o IPCA subiu 5,84% no ano passado e, segundo ele, deve passar para 6% neste ano e 5,6% em 2014.

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