Leasing perde espaço para CDC

O leasing deixou de ser atraente para os brasileiros como opção para aquisição de automóveis zero-quilômetro. O crédito direto ao consumidor (CDC) já representa 90% de todos os financiamentos oferecidos este ano pelos bancos das montadoras. Como as duas modalidades têm atualmente taxa de juros iguais, fixadas em média em 1,95% ao mês (veja tabela de CDC e leasing nos links abaixo), os consumidores estão dando preferência ao sistema que oferece mais flexibilidade na escolha dos planos de pagamento e para a quitação da dívida, além de rapidez na liberação da carta de transferência, mesmo que isso signifique pagar um pouco mais caro pelo bem - sobre o leasing incide o ISS de 0,25%, mas ele é isento do IOF, de 1,5%, ao contrário do CDC. Em 1997, o leasing reinava quase que absoluto no mercado nacional de carros novos, o que se estendeu até os primeiros meses de 1998, quando respondia por 80% do total de financiamentos. A partir de então, começou a entrar em queda lenta mas constante, influenciada pela redução do IOF (que era de 15%, caiu para 6% e em outubro do ano passado foi fixado em 1,5%). A isso somou-se o "trauma" da maxidesvalorização cambial, em janeiro de 99, com a conseqüente inadimplência nos contratos indexados pelo dólar. "O IOF hoje não é mais diferencial e o consumidor ficou arredio ao leasing, uma palavra inglesa que acabou associada ao valor do dólar", resume José Romélio Brasil Ribeiro, diretor-executivo da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadores (Anef). Ribeiro lembra que ainda há oferta de leasing em dólar, porém não existem mais pessoas físicas interessadas nesse tipo de contrato. "Apenas algumas empresas ainda fazem o leasing em dólar", avalia. Vantagens do CDC Na opinião dos concessionários, o CDC supera de longe o leasing por facilitar a vida do consumidor. "No crédito direto o carro fica alienado ao banco, mas em nome do consumidor, o que agrada mais a ele", diz Wlamir Chiari, gerente da revenda Ford Elivel. Henrique Benini, da Honda H Point, vê outras vantagens e uma pequena diferença de preço. "Em uma parcela de R$ 600,00, o acréscimo será só de R$ 7,00", explica. Ele acrescenta: "O CDC oferece planos até 36 meses, a quitação pode se dar a qualquer momento e a carta de quitação é liberada com mais agilidade". Já o leasing tem plano mínimo de 24 meses e, ao final do arrendamento, é obrigatória a transferência do documento.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.