SERGIO CASTRO|ESTADÃO
SERGIO CASTRO|ESTADÃO

Legado da Copa vira abrigo de morador de rua

Linha de monotrilho da capital paulista enfrenta briga de construtoras e sofre para sair do papel

Renée Pereira e Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2016 | 17h18

Prometida para a Copa do Mundo de 2014, as obras do monotrilho da Linha 17-Ouro se transformaram num esqueleto de pilastras na zona sul de São Paulo. Parte das obras foi interrompida em janeiro por causa da suspensão do contrato entre as empresas e o governo. De um lado, as construtoras Andrade Gutierrez e CR Almeida acusaram o Metrô de ser “incapaz” de cumprir os termos do contrato. De outro, a estatal afirmou que as empreiteiras abandonaram os canteiros de obra.

Segundo a Secretaria de Planejamento do Estado, em razão do abandono das obras houve readequação no ritmo dos projetos. Um novo consórcio responsável por parte da obra foi anunciado no início deste mês.

Se a Linha 17-Ouro ainda não transporta passageiros, ela já serve como abrigo para moradores de rua. Numa autopeças na Avenida Jornalista Roberto Marinho, o portão teve de ser reforçado depois de um assalto. “Melhoramos a grade do portão e colocamos câmera de segurança. Não temos mais segurança”, afirma Caio Pompeu, 39 anos, funcionário da empresa. “Os trabalhadores foram sumindo aos poucos. Há uns três meses não vejo mais movimento.”

O governo paulista afirma que, apesar das adversidades econômicas, elaborou um orçamento equilibrado, preservando investimentos. Mas não é o que o mercado tem sentido. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo, Silvio Ciampaglia, afirma que nem na década de 80 viu crise tão grave. “Sempre tivemos oferta de obras e compromisso de pagamento em dia. Hoje, o governo paulista está atrasando quase 80 dias para pagar.”

A informação é corroborada pela Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), que lista uma série de obras paradas ou em ritmo lento em São Paulo. Entre elas, os projetos do Departamento de Estradas e Rodagem (DER). “São contratos de ampliação, duplicação e construção de rodovias com financiamento de organismos internacionais”, diz Carlos Eduardo Lima Jorge, diretor da Apeop. O DER informa que todas as obras estão em andamento.

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