Lehman Brothers eleva expectativa para elétricas

Depois de um ano difícil, o setor de energia elétrica deve presenciar momentos menos preocupantes nos próximos meses. O racionamento abalou as receitas das empresas e a alta do dólar provocou a explosão as despesas com dívidas. Agora, o cenário começa a melhorar. O banco de investimentos Lehman Brothers decidiu elevar as expectativas de desempenho para as ações das elétricas. "Os papéis têm espaço para subir na Bolsa, apesar da recente valorização dos últimos dias", afirmou o analista Charles Barnett. Três motivos levaram o especialista a adotar uma avaliação mais otimista sobre o setor. A valorização recente do real é um alívio para o balanços das empresas, já que a maioria está bastante endividada em dólar. O analista acredita que o dólar subirá no ano que vem, mas não tanto como se imaginava. "Não atingirá R$ 3,00, como se chegou a pensar", disse. A expectativa de câmbio do Lehman Brothers é de R$ 2,55 neste ano e R$ 2,75 em 2002. Além disso, o racionamento de energia pode terminar antes do esperado e as metas para os meses de calor já foram amenizadas. "A previsão é que tenhamos um verão de muita chuva." O terceiro ponto que reforça a mudança de perspectiva do Lehman Brothers é o reajuste extraordinário de tarifas que deve ser concedido às elétricas para compensar as perdas com o racionamento. Barnett acredita que o aumento deve sair em janeiro e ficar entre 5% e 8%. "Todos esses fatores têm impacto direto no fluxo de caixa e rentabilidade das empresas", afirmou o especialista do Lehman Brothers. Apostas As principais apostas do analista são a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia Paranaense de Energia (Copel). Segundo Barnett, o atrativo é que as empresas são integradas, atuam tanto em distribuição como em geração. Ele avalia que essas companhias serão beneficiadas pela desregulamentação do setor de geração em 2003, a partir de quando os preços dos contratos bilaterais estarão liberados. "Isso fará os preços subirem." O analista recomenda também a compra das ações da Eletropaulo. Sobre a Light, Barnett melhorou a classificação dos papéis e agora acredita que terão desempenho similar ao do mercado. "O impacto positivo do novo cenário ainda não está totalmente refletido nos preços das ações." A Eletrobrás vai na contramão desse cenário mais positivo, já que possui recebíveis em dólar. "A empresa se beneficia quando o dólar sobe e perde quando cai", explicou. Para o analista, a privatização de suas subsidiárias Furnas, Chesf e Eletronorte parecem agora fora de questão, até pelo menos 2004.

Agencia Estado,

12 Dezembro 2001 | 10h23

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