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Lei das domésticas deve ser alvo de vetos do governo

Redução de 12% para 8% do INSS pago pelos empregadores preocupa porque reduz a arrecadação esperada pelo governo

ERICH DECAT, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2015 | 20h21

Após passar pelo Congresso Nacional, a chamada PEC das Domésticas deve ser alvo de vetos da presidente Dilma Rousseff. Segundo integrante da cúpula do governo consultado pelo Estado, o entendimento é o de que há um contrassenso em aprovar medidas com previsão de impacto fiscal, em um momento em que o Executivo luta para aprovar um pacote de ajuste fiscal no Congresso. Em reunião com integrantes da base aliada antes de a proposta entrar em votação no plenário do Senado, representantes do Ministério da Previdência alertaram para o impacto estimado na arrecadação com a PEC, que seria de R$ 750 milhões por ano.

Apesar do aviso, a proposta foi aprovada pelos senadores na quarta-feira, 6, e seguirá para sanção da presidente na próxima semana. Ela agora poderá vetar trechos da PEC, depois de consultar os ministérios envolvidos. Para definir a posição sobre a matéria, o Planalto vai aguardar pareceres dos ministérios da Justiça, Fazenda, Planejamento, Trabalho, Previdência Social, Secretaria-Geral, Advocacia-Geral da União e Casa Civil.

"A questão da contribuição patronal tem impacto fiscal. Ela precisa ser bem discutida porque a PEC das Domésticas tira um pedaço da arrecadação que era esperada com o esforço das Medidas Provisórias. Neste momento, não é bom fazer qualquer flexibilização fiscal" ressaltou um integrante do núcleo mais próximo da presidente Dilma. O texto aprovado reduz de 12% para 8% do salário a contribuição do patrão ao INSS.

O governo, no entanto, sabe que qualquer alteração provocará reações, tanto no Congresso Nacional, quanto de trabalhadores, o que pode afetar a popularidade da presidente Dilma Rousseff. Apesar da sinalização do governo de mudanças no texto aprovado pelos parlamentares, a última palavra será dada pelo Congresso, responsável por avaliar os vetos feitos pela presidente.

O problema para representantes do governo é que a discussão da regulamentação dos direitos dos trabalhadores domésticos ocorre em meio a um cenário de crise econômica e duras negociações entre o Palácio do Planalto e lideranças da base entorno da votação das Medidas Provisórias 665 e 664. As duas MPs fazem parte do pacote de ajuste fiscal.

A primeira modifica alguns direitos trabalhistas e foi aprovada na quarta-feira, 6, na Câmara, sendo encaminhada para nova discussão no Senado na próxima semana. Já a segunda altera direitos previdenciários e poderá iniciar a discussão no plenário da Câmara na terça-feira, 12. A previsão de economia com as mudanças sugeridas por parte do Executivo nas duas MPs é de R$ 18 bilhões. Mas após alterações realizadas pelos parlamentares nos textos das matérias essa receita caiu em R$ 3,5 bilhões.

A proposta aprovada pelos congressistas garante aos trabalhadores domésticos 17 novos direitos, igualando sua realidade com a dos demais trabalhadores urbanos e rurais. Para facilitar a vida do patrão, foi criado o Super Simples Doméstico, que vai reunir todas as contribuições, que chegam a 20% do salário, em um único boleto. Entre os benefícios assegurados está a jornada de oito horas diárias ou 44 semanais, com a previsão de um banco de horas para quem trabalhar além desse horário. E o pagamento de horas extras em que as primeiras 40 horas extras deverão ser pagas em dinheiro, com acréscimo de 50% sobre o valor da hora normal. O restante entra no banco de horas. Colaborou Rafael Moraes Moura

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