Leia a íntegra do comunicado do Fed

Banco central dos Estados Unidos, que havia zerado os juros durante a crise financeira de 2008, elevou as taxas para a faixa de 0,25% a 0,50%

Renato Martins, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 18h19

Segue-se a íntegra do comunicado divulgado pelo Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve norte-americano (Fomc) ao fim de sua reunião de dois dias.

"Informações recebidas desde que o Comitê Federal de Mercado Aberto se reuniu em outubro sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo moderado. Os gastos do consumidor e os investimentos das empresas em ativos fixos vêm crescendo a taxas sólidas nos últimos meses e o setor de habitação melhorou ainda mais; contudo, as exportações líquidas têm sido fracas. Uma variedade de indicadores recentes do mercado de mão de obra, incluindo os ganhos contínuos no emprego e o desemprego em declínio, mostram uma melhora adicional e confirmam que a subutilização dos recursos do trabalho diminuiu apreciavelmente desde o começo deste ano. A inflação continuou abaixo da meta do Comitê para o prazo mais longo, de 2%, refletindo em parte os declínios nos preços da energia e nos preços das importações que não são de energia. Medições de inflação dos salários baseadas no mercado continuam baixas; algumas medições de expectativas de inflação para o prazo mais longo recuaram.

"Consistente com seu mandato estatutário, o Comitê busca fomentar o máximo emprego e a estabilidade dos preços. O Comitê atualmente tem a expectativa de que, com ajustes graduais na posição da política monetária, a atividade econômica vai continuar a se expandir a um ritmo moderado e os indicadores do mercado de mão de obra continuarão a se fortalecer. De uma maneira geral, levando em conta os acontecimentos domésticos e internacionais, o Comitê vê os riscos à perspectiva tanto da atividade econômica como do mercado de mão de obra como equilibrados. A expectativa é de que a inflação suba para 2% no médio prazo, à medida que os efeitos transitórios dos declínios nos preços da energia e das importações se dissipem e que o mercado de mão de obra se fortaleça mais. O Comitê continua a monitorar de perto a evolução da inflação.

"O Comitê julga que houve uma melhora considerável nas condições do mercado de mão de obra neste ano e está razoavelmente confiante em que a inflação vai subir no médio prazo para a meta de 2%. Tendo em vista a perspectiva econômica e reconhecendo o período de tempo que leva para que decisões de política monetária afetem os resultados futuros da economia, o Comitê decidiu elevar a faixa da meta da taxa dos Federal Funds para 0,25% a 0,50%. A posição da política monetária continua acomodatícia depois dessa elevação, apoiando, portanto, uma melhora adicional nas condições do mercado de mão de obra e um retorno da inflação a 2%.

"Ao determinar o momento e o tamanho de futuros ajustes na faixa da meta da taxa dos Federal Funds, o Comitê vai avaliar as condições econômicas realizadas e esperadas em relação às suas metas de máximo emprego e inflação a 2%. Essa avaliação vai levar em conta uma variedade ampla de informações, incluindo medições das condições do mercado de mão de obra, indicadores de pressões inflacionárias e de expectativas sobre a inflação e leituras sobre os acontecimentos financeiros e internacionais. À luz do fato de a inflação estar atualmente abaixo de 2%, o Comitê tem a expectativa de que as condições econômicas vão evoluir de maneira a justificar apenas elevações graduais na taxa dos Federal Funds; a taxa dos Federal Funds provavelmente ficará, por algum tempo, abaixo de níveis que se espera que prevaleçam no prazo mais longo. Contudo, a trajetória real da taxa dos Federal Funds dependerá da perspectiva da economia, tal como informada pelos indicadores que saírem.

"O Comitê está mantendo sua política existente de reinvestir os pagamentos do principal de suas posições em dívida de agências e de títulos de agências lastreados em hipotecas e de rolar títulos do Tesouro que estiverem vencendo em leilões, e ele antecipa que fará isso até que a normalização do nível da taxa dos Federal Funds estiver bastante avançada. Essa política, ao manter a posição do Comitê em títulos de prazos mais longos em níveis significativos, deve ajudar a manter condições financeiras acomodatícias.

Votaram a favor da medida de política monetária do Fomc: Janet L. Yellen, chairwoman; William C. Dudley, vice-chairman; Lael Brainard; Charles L. Evans; Stanley Fischer; Jeffrey M. Lacker; Dennis P. Lockhart; Jerome H. Powell; Daniel K. Tarullo; e John C. Williams."

A íntegra da nota em inglês está disponível no site: www.federalreserve.gov/newsevents/press/monetary/20151216a.htm

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