Dida Sampaio/Estadão
O ministro das Comunicações, Fábio Faria, participa da entrevista coletiva sobre o leilão do 5G nesta sexta. Dida Sampaio/Estadão

Leilão do 5G movimenta R$ 47,2 bi, pouco abaixo do previsto; veja o que muda com nova tecnologia

Disputa terminou com ágio médio de 218% em relação ao preço mínimo exigido no edital; expectativa inicial do governo era chegar a R$ 49,7 bilhões, mas nem todos os lotes oferecidos foram arrematados

Amanda Pupo e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2021 | 09h17
Atualizado 05 de novembro de 2021 | 18h06

O leilão do 5G realizado nesta quinta-feira, 4, e sexta-feira, 5, teve como saldo um valor econômico final de R$ 47,2 bilhões, a partir dos lotes leiloados nas faixas de 700 MHz, 3,5 GHz, 2,3 GHz e 26 GHz. O ágio médio em relação ao preço mínimo exigido no edital foi de 218% e de 12% em relação ao valor econômico. Logo após o certame, a Anatel havia informado que o valor era de R$ 46,79 bilhões, mas no fim da tarde fez a correção.

A expectativa do governo era movimentar R$ 49,7 bilhões, mas nem todos os lotes oferecidos foram arrematados.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou que o certame “superou todas as expectativas”. “Temos certeza que todos os valores arrecadados serão convertidos em benfeitorias”, disse o ministro em coletiva à imprensa sobre os resultados do leilão. “Foi o maior leilão da história da América Latina (na telecomunicação) e segundo maior do Brasil, atrás apenas do pré-sal”, afirmou.

Sobre os lotes que não foram arrematados - o que aconteceu principalmente na faixa de 26 GHz -, Faria afirmou que os espectros poderão ser negociados em breve. O ministro e os técnicos da Anatel, no entanto, não apontaram um período específico nem divulgaram a quantidade final de lotes que não foram arrematados.

“O entendimento que nós temos é que se em algum momento próximo for oportuno republicar, seria basicamente uma republicação do edital nos mesmos termos, não seria um novo leilão”, afirmou o conselheiro Carlos Baigorri.

Dos lotes arrematados, na faixa de 700 MHz, o valor econômico final foi de R$ 3,57 bilhões, com ágio de R$ 1,27 bilhão. Para a faixa de 3,5 Ghz, nacional - o principal do 5G -, o valor econômico final ficou em R$ 22,79 bilhões, ágio de R$ 145 milhões, e regional, R$ 7,92 bilhões e R$ 1,88 bilhão, respectivamente.

Na faixa de 2,3 GHz (bloco de 50 MHz), o valor econômico final arrecadado foi de R$ 5,96 bilhões, e ágio de R$ 1,09 bilhão. No bloco de 40 MHz, os números foram de R$ 3,49 bilhões e R$ 653 milhões, respectivamente. Enfim, na faixa de 26 GHz, o valor econômico final somou R$ 3,03 bilhões, com ágio de R$ 54 milhões.

Nesta sexta, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ofereceu os lotes da última das quatro faixas, a de 26 Ghz,  por meio da qual devem ser oferecidas funcionalidades para redes empresariais em setores como indústria, mineração e logística. As vencedoras terão como compromisso a implementação de projetos de conectividade de escolas públicas urbanas e rurais.

A Claro arrematou os primeiro lotes oferecidos: o G1, por R$ 52,8 milhões, e o G2, R$ 52,825 milhões . A Vivo ficou com os lotes G3, G4 e G5, cada um pelo mesmo valor de R$ 52,824 milhões. Todos esses lotes são de abrangência nacional.

Entre os lotes regionais da faixa de 26 Ghz, a Tim arrematou o H19 (Sul), por R$ 8 milhões e ágio de 6,12%; o H25 (Rio, Espírito Santo e Minas), por R$ 11 milhões; e o H31 (São Paulo), por R$ 12 milhões, ágio de 5,97%. A empresa também ficou com  o lote I6, de abrangência nacional, oferecendo outorga de R$ 27 milhões; o J20 (Sul), por R$ 4 milhões, ágio de 6,12%, o J26 (Rio, Minas e Espírito Santo), por R$ 6 milhões; e o J33 (São Paulo), também por R$ 6 milhões.

A Algar ficou com os lotes H38, por R$ 935 mil; H39, por R$ 1,037 milhão; e H40, por R$ 1,037 milhão, todas com abrangência no sul de Minas e partes de Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

A Fly Link arrematou o H42, também com abrangência no sul de Minas e partes de Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul, por R$ 900 mil, e passa a ser nova prestadora de serviços móveis no País. A Neko ficou com o lote  J32, com abrangência no Estado de São Paulo, por R$ 8,492 milhões, e será mais uma nova prestadora de serviços móveis no País.

Veja o que muda com o 5G

Diferença de velocidade de download e upload no 5G e no 4G

Estima-se que, em seu potencial máximo, a tecnologia 5G seja capaz de atingir velocidade de download de 10 gigabits por segundo (Gbps). Isso significa que uma tarefa que demora em torno de 20 segundos no 4G - como baixar uma playlist de uma hora no Spotify - pode levar apenas 2 segundos no 5G.

O que é latência - e como ela muda tudo

Para se ter uma boa conexão de internet, não basta que ela seja veloz, é preciso também ter uma latência baixa. Latência é o termo técnico para identificar o tempo de resposta de uma rede, a partir do momento em que o usuário faz uma solicitação (como acessar uma página ou baixar um arquivo). A latência de uma rede 4G gira em torno de 50 milissegundos (ms). Já a latência prevista para as redes 5G é de 1 ms. Enquanto isso, o tempo médio de reação do cérebro humano para uma imagem, por exemplo, é de 10 MS.

O que o 5G vai possibilitar

Graças à sua combinação entre velocidade e latência, o 5G vai permitir avanços importantes na tecnologia. O mais evidente deles é o dos carros autônomos. Veja outros exemplos:

  • Carros autônomos: hoje já estão sendo testados e tem algum nível de segurança - muitos deles conseguem rodar por quilômetros sem qualquer intervenção humana. Com o 5G, porém, isso pode se tornar ainda mais simples.
  • Cirurgias remotas: hoje, já é possível realizar cirurgias de forma remota, mas o tempo de latência pode fazer com que acidentes aconteçam, de forma que a prática não é recomendada. Com o 5G, isso pode mudar.
  • Internet das coisas: o 5G também vai beneficiar sistemas como casas conectadas e cidades inteligentes. A meta de fabricantes é de que os sensores tenham baixo consumo de energia, o que permitiria que qualquer máquina tenha um sensor.
  • Chamadas holográficas: hoje, falar com um amigo por vídeo, via Skype ou WhatsApp é algo corriqueiro. Mas isso pode ir além com o 5G.
  • Streaming de jogos: para os fãs de games, uma boa novidade do 5G é o fim da latência alta - ou seja, nada de morrer com o tiro do inimigo ou tomar um drible num jogo online porque sua conexão está ruim.

Quando o 5G estará disponível no Brasil?

As regras do leilão preveem que as empresas vencedoras comecem a oferecer o 5G a partir de 31 de julho de 2022. As primeiras cidades a serem atendidas são as capitais e o Distrito Federal. Cidades com mais de 500 mil habitantes terão de ser atendidas até meados de 2025. Em seguida, será a vez dos municípios com mais de 200 mil e 100 mil habitantes, que terão de ser atendidos com rede 5G até junho de 2026 e até junho de 2027, respectivamente. Por fim, as cidades com mais de 30 mil habitantes terão de ser completamente atendidas até 31 de julho de 2029.

Entretanto, o cumprimento desse compromisso e a qualidade do serviço dependem, também, da regulamentação dos próprios municípios sobre a instalação de antenas. De acordo com o Conexis Brasil Digital, entidade que reúne as principais operadoras que atuam no País, apenas sete das 27 capitais brasileiras estão totalmente preparadas para a nova tecnologia de comunicações.

Vou precisar de um celular novo para usar o 5G?

Sim. Cada celular tem uma peça específica para acessar a internet, chamada modem. Modems 5G estão chegando aos celulares, mas ainda encarecem os aparelhos - os modelos mais simples, da chinesa Xiaomi, custam em torno de US$ 500. A maioria dos (poucos) aparelhos ainda está em torno de US$ 1 mil. É um valor, porém, que deve cair com a popularização dessas redes.

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5G: Conheça as empresas vencedoras e suas obrigações, de rede na Amazônia a internet em escolas

Onze das 15 empresas credenciadas a participar do leilão da Anatel levaram algum lote e se comprometeram a desembolsar R$ 47,2 bilhões em taxas ao governo e investimentos

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2021 | 17h14
Atualizado 05 de novembro de 2021 | 17h53

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) finalizou nesta sexta-feira, 5, o leilão do 5G - a nova geração de internet móvel. Ao todo, as empresas se comprometem em desembolsar R$ 47,2 bilhões em taxas pagas ao governo e também investimentos. O valor ficou abaixo dos R$ 49,7 bilhões esperados inicialmente porque alguns lotes não foram arrematados.

Onze das 15 empresas credenciadas a participar do leilão levaram algum lote. Dessas, cinco já possuem autorização para prestação de serviço móvel pessoal: Claro, TIM, Telefônica (dona da marca Vivo), Algar Telecom e Sercomtel. Outras seis vão entrar no mercado: Winity (Fundo Pátria), Cloud2U, Consórcio 5G Sul (Copel Telecom e Unifique), Brisanet, Neko (Surf Telecom) e FlyLink.

Veja quanto vai para o governo e quais obrigações as empresas terão de cumprir

Os lotes foram distribuído em quatro faixas, que funcionam como "avenidas" no ar para transmissão de dados. É por meio delas que o serviço de internet 5G será prestado. O prazo para exploração das faixas será de até 20 anos.

O valor mínimo para outorga era de R$ 2,39 bilhões, mas ficou em R$ 7,44 bilhões, o que corresponde a um ágio de 212%.

Faixa de 700 MHz

  • Preço mínimo: R$ 157,6 milhões
  • Valor pago: R$ 1,4 bilhão
  • Ágio: 806%
  • Empresa vencedora: Winity
  • Compromissos: levar internet a rodovias federais e localidades sem 4G

Faixa de 2,3 GHz

  • Preço mínimo: R$ 647,3 milhões
  • Valor pago: R$ 2,4 bilhões
  • Ágio: 270%
  • Empresas vencedoras: Claro, Tim, Vivo, Brisanet e Algar
  • Compromissos: levar internet a municípios e localidades sem 4G conforme cronograma definido

Faixa de 3,5 GHz

  • Preço mínimo: R$ 1,238 bilhão
  • Valor pago: R$ 3,268 bilhões
  • Ágio: 164%
  • Empresas vencedoras: Claro Vivo e Tim (em lotes nacionais). Sercomtel, Brisanet, Consórcio 5G Sul, Cloud2u e Algar (lotes regionais)
  • Compromissos: migrar o sinal da TV parabólica para liberar a faixa de 3,5GHz para o 5G, arcando com os custos; construir rede privativa de comunicação para a administração federal; instalar rede de fibra óptica, via fluvial, na região amazônica; levar fibra óptica para o interior do país; e disponibilizar o 5G em todos as capitais até julho de 2022

Faixa de 26GHz

  • Preço mínimo: R$ 344,6 milhões
  • Valor pago: 352,8 milhões
  • Ágio: 2%
  • Empresas vencedoras: Claro, Vivo e Tim (lotes nacionais); Algar, Fylink, Neko e Tim (regionais)
  • Compromisso:  levar internet de qualidade às escolas de educação básica do País

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Leilão do 5G: Governo diz que não haverá lacunas de atendimento mesmo com blocos não arrematados

Segundo a Anatel, empresas que levaram blocos de abrangência nacional prestarão o serviço também em áreas onde lotes regionais não saíram

Amanda Pupo , O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2021 | 16h26
Atualizado 05 de novembro de 2021 | 18h19

BRASÍLIA - Apesar de alguns dos lotes oferecidos no leilão do 5G não terem sido arrematados, o governo diz que isso não significa que uma parte da população ficará sem acesso à nova tecnologia. De acordo com o presidente da Comissão Especial de Licitação do 5G na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Abraão Balbino e Silva, todas as obrigações previamente definidas pelo órgão foram licitadas e serão assumidas pelas empresas vencedoras.

Segundo a Anatel, 120 lotes foram licitados e 63 foram desabilitados em razão da venda ou não venda de outros. Ao fim, 45 lotes foram arrematados. Dos que não foram, aproximadamente 95% eram da faixa de 26 GHz.

Um dos motivos de não haver desatendimento é que vários blocos são inicialmente ofertados com uma subdivisão de regiões, por exemplo. Então, se uma empresa leva um bloco de abrangência nacional e outro lote com determinada região não é arrematado, a população já está coberta pela companhia que prestará serviços no Brasil todo.

Além dos lotes da faixa de 26 GHz que não atraíram interessados, um nacional da faixa de 3,5 GHz e um regional da faixa de 2,3 GHz também não receberam lances. Com isso, o leilão movimentou R$ 47,2 bilhões ante a expectativa inicial do governo de chegar a R$ 49,7 bilhões.

O ministro Fábio Faria, das Comunicações, destacou que os lotes que não foram levados neste leilão poderão ser licitados em breve. A Anatel e o ministro não definiram quando isso poderá ocorrer, o que será decidido num “momento oportuno”, disse o conselheiro Carlos Baigorri. “Seria basicamente uma republicação do edital nos mesmos termos”, completou. "Ainda deve ter algo em torno de R$ 7 bilhões ou R$ 8 bilhões que podem ser comercializados em breve”, afirmou Faria.

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Em 2 anos, Brasil terá mais conexões 5G que países que fizeram leilões antes, diz executivo da TIM

Para Mario Girasole, vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Institucionais da companhia, modelo do certame, que destinou maior parte dos recursos para investimento e não para outorga, contribuiu para a disputa entre empresas

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2021 | 15h00

O Brasil terá, nos próximos dois anos, um número de conexões 5G até maior que outros países que realizaram leilões de frequências antes, segundo o vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Institucionais da TIM, Mario Girasole. Isso porque o leilão por aqui teve características que estimularam a atração de investimentos.

Ele elogiou o fato de o leilão não ter tido um viés arrecadatório. Ou seja: destinou a maior parte dos recursos para implementação das redes em vez de cobrar valores elevados de outorgas para os cofres públicos - como vinha acontecendo desde a privatização das telecomunicações no Brasil. Essa mudança também era pleiteada há tempos pelas operadoras.

Outro ponto interessante, segundo o executivo da TIM, foi a oferta de uma grande quantidade de espectros de radiofrequência. Esse foi o maior leilão já realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). "Todas essas coisas juntas ajudaram a atrair essa quantidade de 15 concorrentes", avaliou.

O leilão, que terminou nesta sexta-feira, 5, movimentou R$ 47,2 bilhões com lotes leiloados nas faixas de 700 MHz, 3,5 GHz, 2,3 GHz e 26 GHz. O ágio médio em relação ao preço mínimo exigido no edital foi de 218% e de 12% em relação ao valor econômico. A expectativa inicial do governo era movimentar R$ 49,7 bilhões, mas nem todos os lotes oferecidos foram arrematados.

A TIM planeja ativar a internet móvel de quinta geração logo que a limpeza da faixa de 3,5 Ghz estiver concluída. "Uma vez que (a faixa) estiver liberada, o 5G estará no ar. Do ponto de vista industrial, está tudo pronto", declarou, em entrevista coletiva à imprensa em Brasília.

Como as antenas parabólicas recebem as transmissões por meio de uma banda que fica pertinho da faixa por onde vai navegar o 5G, é preciso fazer uma acomodação para evitar conflitos. A solução será a migração das parabólicas para outra banda.

Esse trabalho de limpeza da faixa será realizado pela Entidade Administradora da Faixa (EAF), organização prevista no edital da Anatel e financiada pelas operadoras que arremataram os lotes leiloados na faixa de 3,5 Ghz.

As rivais Claro, Vivo e TIM arremataram na quinta-feira, 4, três dos quatro blocos nacionais da faixa de 3,5 Ghz - de abrangência nacional e considerada ideal para a oferta de internet móvel do 5G. A Tim ficou com B3, por R$ 351 milhões, com ágio de 9,22%.

"É preciso parabenizar esses atores. Eles são competidores, mas também parceiros", afirmou Girasole. "Tem possibilidade de compartilhamento de infraestrutura no Brasil que serão exploradas por operadoras nacionais e regionais."

Ele lembrou que as operadoras de telecomunicações avançaram no compartilhamento de redes, espectros e torres nos últimos anos como forma de ganhar escala e reduzir custos - uma tendência global e ainda mais importante no Brasil, dadas suas dimensões continentais.

Com a participação de um conjunto diversificado de operadoras no 5G, essas estratégias serão aprofundadas, disse: "Com esses novos atores, essas possibilidade aumentam".

O vice-presidente da TIM ainda buscou tratar com naturalidade o grande número de participantes do leilão, que atraiu 15 proponentes. "O mercado amadureceu de forma tal a atrair novos investimentos. Isso é bom para os novos entrantes, mas é bom para nós também que estamos aqui há 20 anos", afirmou. "Mostra que o leilão teve elementos de valor. Seria muito pior um leilão deserto, pois isso significaria que estamos em um mercado não atrativo."

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