Leilão da ANP foi sucesso assombroso, diz Magda

Após cinco anos sem ofertar novas áreas para exploração, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) encerrou a 11ª rodada de licitações com forte interesse do setor privado, que arrematou dois terços dos 155 mil quilômetros quadrados ofertados. Doze petroleiras do Brasil e 18 do exterior pagaram um volume recorde de bônus de assinatura pelas concessões: R$ 2,823 bilhões, superando os R$ 2,1 bilhões da 9ª rodada, em 2007. "Foi um sucesso assombroso", resumiu a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, destacando recordes da rodada. "Estamos extremamente satisfeitos, o resultado superou nossas expectativas de arrecadar R$ 2 bilhões."

SABRINA VALLE, FERNANDA NUNES E MONICA CIARELLI, Agencia Estado

14 de maio de 2013 | 20h08

O valor pago pelas empresas na assinatura dos contratos ficou 797% acima do mínimo exigido pela ANP. Foram arrematados 142 dos 289 blocos ofertados com investimentos mínimos somando cerca de $ 7 bilhões, um ágio de 628% em relação ao mínimo requerido.

A Petrobras foi a empresa que mais venceu lances, mas com novo perfil. Preferiu parcerias, especialmente nos blocos mais caros em alto mar, e abriu mão de ser operadora na maioria deles. A maior ausência foi das empresas asiáticas, que não arremataram áreas, frustrando expectativas.

A brasileira HRT, que perdeu a liderança de Marcio Mello nesta semana, tampouco fez lances. A OGX, por outro lado, surpreendeu ao fazer várias ofertas, apesar de enfrentar uma crise de confiança e dificuldades para geração de caixa. Era da OGX o recorde anterior de valor pago por um bloco (R$ 344 milhões), mas apesar de ter sido ousada no passado a companhia não encontrou petróleo como esperava.

Uma parcial com oito das 11 bacias ofertadas mostrou que a petroleira levou 13 blocos, sendo dez sozinha. A ANP ainda não fechou o balanço total do evento com blocos por empresa. As ações da OGX reagiram com uma alta de 5,39%.

O leilão também marcou a volta da ExxonMobil ao Brasil, com dois blocos. A estrangeira terá parceria com a OGX, o que o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos de Luca, considerou "mostrar respeito" à empresa brasileira. De Luca e Magda disseram que o resultado deste leilão mostra o apetite das empresas e dá uma mostra da disposição que o empresariado terá nas duas próximas rodadas deste ano, uma de gás, em outubro, e a do pré-sal, em dezembro.

Para Magda, OGX e Queiroz Galvão (QG) se consolidam, após este leilão, como operadoras de águas profundas. A QG preferiu entrar em parcerias. Chevron, responsável pelo acidente no Campo de Frade, teve atuação discreta. Já a Petra Energia focou no gás em terra e teve uma atuação agressiva, fazendo lances por bacias inteiras e levando pelo menos 26 blocos.

Empresas como BP, Total e Petrogral entraram em grandes blocos em parceria com a Petrobras. Estão entre as que mais gastaram recursos. Petrogal e Total levaram pelo menos dez blocos cada. BG venceu dez blocos na bacia de Barreirinhas, sendo nove em águas profundas. A empresa, que não era operadora no Brasil, agora vai operar todos os dez blocos arrematados. "Escreve aí que a gente está muito feliz", disse o presidente da BG no Brasil, Nelson Silva.

Magda disse que as áreas não licitadas poderão voltar nos próximos leilões. A rodada também contou com novas empresas no setor, como a Ouro Preto, que tem em seus quadros Rodolfo Landim, ex-braço direito de Eike Batista. Levou três blocos sozinha.

Magda também destacou a atuação de pequenas empresas em bacias maduras. Sabre, Pacific Brasil, Premier Oil, Cowan, Cepsa, Irati, Chariot, Ecopetrol, Geopark e Brasil Manati estão entre as empresas pouco conhecidas que arremataram áreas.

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