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Leilão da BR-262 fracassa e Mantega joga a culpa em questões 'políticas'

Fracasso traz desconfiança para o programa federal de concessões, a grande aposta para deslanchar o crescimento da economia; a BR-050, no entanto, recebeu oito propostas

LU AIKO OTTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2013 | 02h07

Começou mal o programa de concessões em infraestrutura, a grande aposta do governo para deslanchar o crescimento da economia. Nenhuma empresa se interessou pela concessão do trecho da BR-262 que passa pelo Espírito Santo e por Minas Gerais, que era avaliada como uma das mais atraentes de todo o conjunto que será leiloado.

Por outro lado, a BR-050, entre Minas Gerais e Goiás, recebeu oito propostas, confirmando as expectativas do governo de uma competição acirrada. O resultado da disputa será conhecido na quarta-feira.

Assim, o sinal positivo que o governo pretendia dar aos agentes econômicos com uma estreia forte dos leilões ficou comprometido. Todo o esforço das últimas semanas foi para garantir um número grande de participantes, o que só se concretizou pela metade.

Política. Podem ter sido políticas as razões para a ausência de interessados na BR-262, disse ontem ao Estado o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Não faz sentido, a rentabilidade é semelhante entre as rodovias", comentou. "Então, acredito que haja outro problema, talvez de ordem política, não sei bem, temos de apurar."

O trecho da BR-262 colocado em leilão passa pelo Espírito Santo, governado pelo PSB, e por Minas Gerais, governado pelo PSDB, partidos que deverão concorrer contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Parlamentares capixabas haviam se posicionado claramente contra a cobrança de pedágios elevados no Estado.

A tarifa máxima para a BR-262 é de R$ 11,26 para cada 100 km, enquanto na BR-050 é de R$ 7,87. No Espírito Santo, haverá duas praças de pedágio, cujas tarifas máximas estão calculadas em R$ 9 e R$ 9,70.

Mantega avalia que o início ruim não compromete o programa de concessões. "Vamos ter no dia 18 a inscrição para o leilão de Libra, que esperamos que seja bem-sucedido", disse. "Vamos tocando."

Ele acrescentou que a BR-262 poderá ser oferecida novamente mais adiante. Mantega afirmou ter ouvido de oito a dez concessionárias que o trecho é interessante.

Sem problemas. O governo diz que não há problemas com o modelo de concessões, já que a concorrência pela BR-050 foi acirrada.

"Temos um motivo de alegria e outro a lamentar", comentou o ministro dos Transportes, César Borges. Ele não escondeu a surpresa com o resultado. "Todos os comentários eram de que os dois trechos seriam atrativos." Segundo o ministro, não foram apresentadas queixas ou críticas em relação à 262.

Ele afirmou que o cronograma de leilões continuará normalmente. "Vamos avaliando os lotes um a um. A falta de concorrentes em uma só rodovia não irá alterar o nosso cronograma", garantiu, lembrando que, a princípio, o leilão do trecho baiano da BR-101 está mantido para o dia 23 de outubro.

Especulações. O resultado inesperado provocou uma série de especulações. Uma dessas explicações seria o fato de que a BR-262 não era um negócio tão bom. Mesmo sendo um trecho curto (375 km), com praticamente metade (180 km) sendo duplicada com recursos públicos, foi apontada como cara. "A BR-262 não tem viabilidade econômica", disse o gerente de Novos Negócios da Fidens Engenharia, Nilton Chaves.

Dentro do governo, em um primeiro momento, chegaram a ser levantadas suspeitas de conluio entre as empresas. Não havia, porém, nenhuma indicação sobre qual seria o objetivo de uma eventual combinação./ COLABORARAM EDUARDO RODRIGUES E WLADIMIR D'ANDRADE.

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