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Sem interessados, primeiro grande leilão do governo Temer é cancelado

Distribuidora de energia Celg, de Goiás, seria leiloada na sexta-feira, com preço mínimo de venda de R$ 2,8 bilhões, valor considerado alto pelo mercado; investidores chineses, maior esperança do governo, informaram que não iriam participar

Anne Warth, Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2016 | 16h13
Atualizado 16 de agosto de 2016 | 23h40

BRASÍLIA - Escolhido para ser um marco do governo do presidente em exercício Michel Temer na área de privatizações, o leilão da distribuidora de energia Celg, de Goiás, teve de ser cancelado por falta de interessados. Nenhum investidor depositou as garantias para participar da disputa, marcada para sexta-feira. O preço mínimo de venda da empresa, de R$ 2,8 bilhões, foi considerado fora da realidade pelo mercado.

O cancelamento, antecipado pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, representa um revés para o governo Temer, pois seria a primeira grande privatização de sua gestão. O preço da empresa e o modelo de venda tinham sido definidos pela equipe da presidente afastada, Dilma Rousseff, mas a data do leilão e a publicação do edital foram uma decisão da atual gestão.

Na manhã desta terça-feira, 16, integrantes do governo estavam apreensivos. Maior esperança do governo, os investidores chineses informaram que não fariam nenhum lance pela distribuidora. Da mesma forma, os grupos Equatorial e CPFL haviam sinalizado que não participariam da disputa.

A Celg, que tem 51% das ações na mão da Eletrobrás e 49% com o governo de Goiás, não é considerada um ativo ruim, mas seu preço foi dado como superestimado. Ele foi definido pela equipe de Dilma em novembro do ano passado, com o objetivo de aumentar as receitas da Eletrobrás e, consequentemente, a arrecadação da União com contribuições, impostos e dividendos. “Esse processo foi mal conduzido”, disse uma fonte do governo.

Para não ter de rever o preço, várias medidas foram adotadas para valorizar a empresa. O Estado de Goiás assumiu, por exemplo, o pagamento de um financiamento de R$ 1,9 bilhão tomado pela CelgPar com a Caixa em 2014, empréstimo que serviu para quitar dívidas da distribuidora em encargos setoriais devidos ao governo federal.

Além disso, por meio da Medida Provisória 735, em tramitação no Congresso, o governo estendeu o prazo para novos operadores de distribuidoras atingirem metas de qualidade de serviço e sustentabilidade econômico-financeira. Sem isso, o novo acionista teria de investir R$ 1,7 bilhão na Celg até 2019.

No início do ano, o governo atuou para renegociar uma dívida da empresa com a usina de Itaipu. A Celg devia US$ 334,9 milhões à hidrelétrica, mas o Tesouro permitiu que a dívida fosse convertida em reais pelo câmbio de 2 de janeiro de 2015 (de R$ 2,69) para R$ 901,95 milhões. Na época, a cotação média do dólar era de R$ 4,05, o que levaria a dívida a R$ 1,355 bilhão. O débito ficou R$ 453,89 milhões menor e essa conta foi transferida para os consumidores das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. 

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