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Leilão de energia atraiu até distribuidora de bebida

Com novas regras para atrair investidores, empresas desconhecidas vencem vários lotes de linhas; preocupação é com andamento das obras

Renée Pereira, Gabriel Oneto, Galeno de Sena Lima e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2017 | 22h41

O leilão de linhas de transmissão de energia elétrica realizado nesta segunda-feira, 24, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) atraiu investidores de vários setores da economia. Além de fundos de investimentos, como os da Vinci, empresas desconhecidas disputaram a concessão dos empreendimentos em vários lotes. Entre os vencedores há até uma distribuidora de bebida, que compôs o Consórcio Pará.

Em parceria com outras duas empresas, a Disbenop - Distribuidora de Bebidas arrematou um lote de linhas de transmissão no Pará, com deságio de 16,14%. Para dar o lance, a companhia se associou com a Malv Empreendimentos e Participações, pertencente à ex-primeira dama de Cuiabá, e com a Primus Incorporação e Transmissão, cujo dono era coordenador da campanha do ex-prefeito de Cuiabá.

Juntas elas vão investir R$ 120 milhões nas obras e receber uma receita anual de R$ 20 milhões. A Disbenop pertence ao empresário mato-grossense Mauro Carvalho Júnior, que é dono de outras 12 empresas. O leilão também trouxe à tona grupos de engenharia e construção, que ganharam mais espaço com as gigantes do setor penduradas na Lava Jato. Na lista estão Fasttel Engenharia, Cesbe e Lig Global.

“A disputa foi bonita e mostrou que alguns ajustes podem fazer a diferença”, afirma o professor da UFRJ Nivalde Castro. Mas ele destaca que agora é preciso separar o joio do trigo. “Tivemos no leilão três grupos diferentes de investidores: as empresas tradicionais de transmissão; as empresas tradicionais do setor elétrico; e outros investidores formados por fundos e empresas de setores diversificados.” Na opinião dele, embora a atração de um número maior de investidores seja uma boa notícia, é preciso tomar cuidado para não cair em erros do passado.

A preocupação do professor é com atrasos nas obras. “Se grandes investidores, que têm experiência no setor, já sofrem com problemas durante as obras, imagina uma empresa com pouca experiência”, questiona ele. De qualquer forma, Castro afirma que esse tipo de problema pode ser superado com mais controle por parte da Aneel. O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, também acredita que uma fiscalização mais atenta pode coibir e eliminar atrasos no andamento dos projetos.

Na avaliação dele, independentemente de ter investidores desconhecidos, o leilão deve ser visto com otimismo, especialmente num momento delicado da economia brasileira. “Foi uma competição bastante robusta. Mais uma prova de que o governo acertou na mão (ao mudar as regras).”

Do lado do governo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, comemorou a forte disputa no leilão. “Tivemos um leilão extremamente bem sucedido, uma concorrência e uma competição muito saudável. Isso gerou deságio de quase 40%.”

Moreira Franco destacou que o deságio obtido no leilão vai representar economia de R$ 22 bilhões ao consumidor nos próximos 30 anos. “Em alguns casos, tivemos deságio de mais de 50%.” O ministro disse que os lotes vão representar quase R$ 13 bilhões em investimentos e devem gerar 28 mil empregos.

Balanço do PPI. O ministro ressaltou que, até o momento, o governo conseguiu realizar 50% das propostas do primeiro portfólio do Programa de Parcerias de Investimento (PPI). “Os prazos estão sendo cumpridos rigorosamente”, afirmou. Ele lembrou que o governo vai começar, em maio, os leilões na área de petróleo e gás, com a oferta de áreas marginais. Em seguida, serão licitadas áreas unitizáveis e, até o fim do ano, áreas do pré-sal.

Em relação a transportes, o ministro disse que o governo fará um esforço para dar racionalidade à questão ferroviária no País. Ele disse que as ferrovias serão uma oportunidade de estrangeiros elevarem sua presença no Brasil. Segundo ele, as ferrovias só serão licitadas se houver interessados. “Se não quiserem, tem que respeitar. Não é derrota, é a regra do jogo.” / RENÉE PEREIRA, GABRIEL ONETO, GALENO DE SENA LIMA e ANNE WARTH

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