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Leilão de energia do Madeira tem deságio de apenas 7,15%

Governo consegue vender os 7 lotes de linhas de transmissão, mas deságio médio fica abaixo de leilões similares

Denise Luna, da Reuters,

26 de novembro de 2008 | 15h22

O governo conseguiu vender os sete lotes de linhas de transmissão de energia das usinas do Rio Madeira ofertados em leilão nesta quarta-feira, 26, apesar de o deságio médio ter ficado abaixo de leilões similares realizados no passado, em 7,15%. Segundo o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, Jerson Kelman, o deságio foi menor porque os preços máximos estipulados pelo governo estão mais próximos da realidade e porque houve menor competição do que em leilões anteriores. Mesmo assim a competição viabilizou levar para o menor preço possível, o país pode apostar que terá energia", afirmou ele a jornalistas após o leilão.  Este foi o maior trecho de linhas de transmissão licitadas no Brasil, composto por duas linhas de 2.375 quilômetros de extensão cada que serão construídos de Rondônia a São Paulo, sendo que metade ficará na floresta Amazônica.  Foi também a primeira vez que os investidores puderam optar pela tecnologia a ser usada, vencendo a de corrente contínua, hoje presente no país apenas na interligação da usina hidrelétrica de Itaipu ao Sistema Integrado Nacional. No restante do país predomina a corrente alternada.  As estatais tiveram participação de destaque e garantiram o sucesso do leilão, ficando, em parcerias com outras empresas, com cinco dos sete lotes ofertados. A Cymi, de capital espanhol, ficou com os dois lotes menores.  "Foi um grande teste para o Brasil e o Brasil passou", disse a jornalistas após o leilão o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim. "Nesse momento que o mundo tem uma restrição e vê as empresas nacionais e estrangeiras fazendo lance, (a disputa do leilão) faz crer que a crise não chegou ao setor elétrico", complementou.  Leilão O primeiro lote consistia na integração da usina com o Estado de Rondônia - duas estações conversoras, subestação coletora e linha de transmissão da coletora até Porto Velho -, para ampliar o abastecimento da região Norte, e admitia receita máxima de R$ 44,751 milhões. A vitória foi do consórcio Integração Norte Brasil, formado por Eletronorte, Eletrosul, Abengoa Brasil e Andrade Gutierrez, que fez oferta de receita com deságio de 0,0007%, ou R$ 44,600 milhões de receita.  O consórcio adquiriu também o lote para construção de duas estações em Rondônia e São Paulo, com deságio de 10% sobre a receita de R$ 144,7 milhões, e um dos dois trechos de 2.375 quilômetros de linha, ligando Porto Velho (RO) a Araraquara (SP), com deságio de 6%, no total de R$ 173,9 milhões.  O segundo lote, uma linha de 606 quilômetros entre Mato Grosso e Goiás será construída pela Cymi Holding, que ofereceu deságio de 15% sobre a receita máxima de R$ 41,7 milhões. A Cimy também comprou o quinto lote, formado por uma subestação e duas linhas de transmissão em Araraquara (SP).  Um consórcio formado por Cteep, Furnas e Chesf levou o outro trecho de 2.375 quilômetros ligando Porto Velho a Arararaquara, depois de vencer a espanhola Isolux pelo sistema de viva-voz com oferta de R$ 176,2 milhões, deságio de 0,21%. O grupo também venceu a disputa por duas estações em Rondônia e São Paulo, com deságio de 6% e receita máxima de R$ 173,9 milhões.  No total, as empresas vencedoras terão uma receita anual de R$ 742,4 milhões, informou a Aneel. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu uma linha especial para financiar os vencedores, que devem investir cerca de R$ 7,2 bilhões na construção das linhas, valor estimado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética).  As linhas vão ligar as usinas Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, ao sistema nacional. As usinas terão capacidade instalada de 6.450 megawatts. A expectativa é de que as obras possam ser concluídas em um prazo de 36 a 50 meses. A participação de companhias estrangeiras foi menor que em leilões anteriores do tipo, pois havia receio sobre a disponibilidade de crédito para empresas privadas.  A espanhola Isolux, que já opera 15 linhas no Brasil, participou do leilão mas apenas apresentou lances no valor máximo de tarifas permitido, não conseguindo arrematar nenhum bloco. O diretor da empresa, Francisco Corrales, afirmou que a companhia não tinha condições de oferecer deságios. "Para nós tinha um risco nesse momento, o jeito que estão os mercados financeiros. Não era aceitável (dar lances maiores)", disse.

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