Leilão de energia nova negocia R$ 27,7 bi

Terminou na tarde desta terça-feira o 3º Leilão de Energia Nova, com o valor médio da energia das hidrelétricas a R$ 120,86 o MWh e o das termelétricas, a R$ 137,44 o MWh. No total, o volume negociado foi de R$ 27,7 bilhões. Esse foi o leilão mais rápido de energia nova. A disputa teve início de fato às 12h30, depois de um começo frustrante às 11h45, interrompido segundos depois por conta da dificuldade de conexão de um participante.A etapa de venda de energia pelas usinas termelétricas terminou às 15h15, com o preço mais caro negociado a R$ 138 o MWh. Essa fase durou cerca de uma hora e meia, e a etapa de hidrelétricas levou apenas 12 minutos. O preço fechado para as termelétricas serviu de base para o preço de venda das hidrelétricas.Somando o lance ofertado para a energia, que começou com o máximo de R$ 113,15, mais uma taxa chamada de "Uso do Bem Público (UBP)", o valor de venda dos empreendimentos hídricos não pôde ultrapassar R$ 138 o MWh. No leilão passado, a usina de São Salvador, da Tractebel, não vendeu energia exatamente, porque tem uma UBP muito alta, mas nesta ocasião conseguiu comercializar 148 MW. Segundo o ministro das Minas e Energias, Silas Rondeau, o resultado do leilão garantiu o atendimento de 99,6% de toda a demanda para 2011 solicitada pelas distribuidoras. A demanda declarada foi de 1.243 MW e foram vendidos 1.104 MW. "Com isso garantimos o fornecimento de energia até 2011", disse o ministro. Ele descartou qualquer possibilidade de faltar energia nesse período, lembrando que no Sul houve seca e o sistema de transmissão foi capaz de transferir a energia do Sudeste para lá.No leilão, foram vendidos 569 MW médios por usinas hidrelétricas, representando 52% da demanda. O restante foi atendido pelas termelétricas. "A proporção é mais ou menos a mesma do último leilão", lembrou.Sem concessãoDos quatro empreendimentos novos, sem concessão, apenas dois foram leiloados: Mauá Dardanelos. Embora duas usinas não tenham despertado o interesse dos investidores - Barra do Pomba e Cambuci -, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, disse que houve disputa de empresas privadas de energia por Mauá e Dardanelos. No primeiro caso, a concessão foi ganha pelo consórcio Cruzeiro do Sul, formado por Copel e Eletrosul, que disputou a usina com a Energias do Brasil. Já Dardanelos, concedida para o consórcio Aripuanã, composto por Neoenergia, Eletronorte, Chesf e CNO, foi disputada também pela Tractebel e Energias do Brasil. "Houve interesse das empresas elétricas privadas, mas elas não ganharam", afirmou Tolmasquim.As duas hidrelétricas não leiloadas terão seus estudos de viabilidade refeitos e devem ser ofertadas futuramente. "Vamos refazer os estudos para tentar reduzir custos, para torná-las atrativas", explica. O que o governo não quer é aumentar o preço da energia para viabilizar esses projetos.Rondeau disse que a tendência é de estabilidade nos preços, já que os empreendimentos botox deixarão de existir no próximo ano. "Essas hidrelétricas têm custos mais elevados porque pagaram ágios altíssimos nos leilões e ainda contaminam o preço da energia", explica. Elas pagam um espécie de taxa chamada Uso do Bem Público que existia no modelo antigo. "É uma herança maldita do governo anterior, que estamos resolvendo", afirmou Tolmasquim.O ministro cita como exemplo do problema o fato de as botox não conseguirem neste leilão vender a energia ao mesmo preço das usinas novas. Para Mauá, por exemplo, o MWh saiu a R$ 112,78 e para Dardanelos, a R$ 112,96. Já a botox Salto Pilão vendeu metade a R$ 135,98 e outra metade a R$ 133,34, enquanto São Salvador saiu a R$ 135,01 e Monjolinho, a R$ 122 o MWh.Ficaram de fora ainda as botox Foz do Chapecó e Estreito. A expectativa é de que a primeira venda a energia no mercado livre por ser uma quantidade pequena e Estreito deve participar de um futuro leilão a ser realizado no próximo ano. A quantidade ofertada pelas usinas não é declarada, apenas a capacidade de geração, mas a CPFL, dona de Foz do Chapecó, já disse que praticamente toda a potência de 855 MW está contratada.Novos leilõesTolmasquim disse que em 2007 devem ser realizados dois leilões: um para vender energia em 2010, conhecido como A-3, e outro para 2012, chamado de A-5. Nestes dois podem entrar essas botox e algumas termelétricas.Novos empreendimentos hidrelétricas ainda não estão disponíveis para serem leiloados. "Foram anos do governo anterior sem investimento em estudos das bacias e de viabilidade econômica, por isso, agora temos que correr contra o tempo", diz Tolmasquim. A EPE está investindo R$ 150 milhões para realizar esses estudos de rios e conseguir ofertar novas usinas a partir de 2008. A previsão é que neste ano possam ser leiloadas as usinas do rio Teles Pires, no Mato Grosso. EletrobrásA Eletrobrás divulgou nota comentando os resultados do leilão de energia nova, onde o grupo destaca a participação nos consórcios que arremataram as duas hidrelétricas ´novas´ leiloadas, a de Mauá e Dardanelos.A empresa, em consórcio liderado pela Copel (estatal controlada pelo governo do Paraná), arrematou a hidrelétrica Mauá. Na hidrelétrica de Dardanelos (MT), a Eletrobrás participou através da Eletronorte e Chesf. O consórcio conta com a participação da Neoenergia (46%), com a Eletronorte participando com 24,5%, a Chesf com 24,5% e o grupo Camargo Corrêa com 5%.Suez EnergySegundo o presidente da Suez Energy no Brasil, Maurício Bähr, "esse leilão marca a retomada dos investimentos da Suez Energy no Brasil. Com esse contrato, vamos investir cerca de R$ 800 milhões".O grupo europeu Suez, que controla 13 usinas no Brasil, tem interesse em outros projetos hidrelétricos. Bähr disse que o grupo está buscando um projeto de médio porte para novos investimentos. "Queremos continuar investindo em hidrelétricas no Brasil", enfatizou. Uma eventual participação nos megaprojetos do rio Madeira, em Rondônia, porém, não está nas prioridades da Suez.Matéria alterada às 20h31 para acréscimo de informações

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