Leilão de energia nova ocorrerá no 1º semestre, diz EPE

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse hoje que o governo pretende realizar, no primeiro semestre de 2010, o próximo leilão de energia nova, com início de fornecimento previsto para cinco anos depois, no caso, 2015. Este tipo de leilão é conhecido como A-5.

LEONARDO GOY, Agencia Estado

10 de dezembro de 2009 | 14h02

O governo queria realizar uma licitação no dia 21 de dezembro, mas acabou cancelando a iniciativa, devido ao atraso na liberação de licenças de novas hidrelétricas. Para evitar uma nova venda de energia produzida predominantemente em usinas térmicas, optou-se pelo cancelamento.

O governo tinha em sua carteira sete novas hidrelétricas para o leilão de dezembro. Mas apenas uma delas, a Usina de Santo Antônio do Jari (300 megawatts), conseguiu licença ambiental. As outras seis, que juntas atingem cerca de 600 megawatts (MW), ficariam de fora da disputa pela falta de licença.

Ontem, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que as licenças de outras cinco usinas, localizadas todas no Rio Parnaíba, deverão ser liberadas em fevereiro. Se isso de fato ocorrer, haverá tempo hábil para incluí-las no novo leilão.

Tolmasquim comemorou a previsão de Minc e disse que, além das sete usinas que o governo já queria oferecer em dezembro, a intenção é licitar, nesse leilão de 2010, alguns projetos da Bacia do Rio Teles Pires, no Mato Grosso. Ele não disse quantos megawatts pretende acrescentar a partir dessa nova fronteira energética, mas citou algumas usinas que poderiam entrar na licitação, como a de Sinop (461 MW) e a do Rio Apiacás (275 MW).

Ao explicar o cancelamento do leilão, Tolmasquim reiterou que, tendo em vista o fato de que, em 2009, o consumo de energia deverá ter uma queda de 0,5%, devido à desaceleração econômica, criou-se uma folga no sistema. Essa folga deve gerar um excedente de 4.000 MW médios em 2014, ano para o qual estava prevista a entrada da energia dos empreendimentos que vencessem no leilão de dezembro. "Nos outros leilões, não tínhamos margem de manobra e precisávamos aumentar a oferta de qualquer maneira. Como agora temos folga, queremos escolher as melhores fontes", disse Tolmasquim, reforçando a intenção do governo de fazer um leilão no qual predominem as hidrelétricas, cuja energia é mais barata e mais limpa que a das usinas térmicas.

PIB

Tolmasquim disse ainda que o resultado o PIB, divulgado hoje, não muda sua previsão de que o consumo de energia no País fechará o ano com uma queda de 0,5%, na comparação com 2008. Hoje, o executivo participou de uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado, para discutir o blecaute que deixou 18 Estados do País sem luz no dia 10 de novembro.

Sobre o apagão, ele afirmou mais de uma vez que não é possível comparar o ocorrido em novembro com o racionamento de energia que vigorou entre 2001 e 2002. "O custo do blecaute em novembro foi praticamente irrisório. Não dá para comparar com 2001, quando tivemos redução da produção industrial e da atividade do comércio. É outra ordem de grandeza", disse.

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