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Leilão de energia supera expectativa do governo e reduz custos de distribuidoras

Certame atendeu a 62% da necessidade de contratação de eletricidade das distribuidoras, movimentando R$ 27,3 bilhões  

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado e Reuters, Texto atualizado às 14h15

30 de abril de 2014 | 11h56

Atualizado às 13h

SÃO PAULO - O leilão de energia realizado nesta quarta-feira atendeu a cerca de 62% da necessidade de contratação de eletricidade das distribuidoras, movimentando R$ 27,28 bilhões em contratos fechados e superando as expectativas do governo.

As distribuidoras, que estavam descontratadas em mais de 3.300 megawatts médios de energia, compraram no certame 2.046 megawatts para entrega entre maio deste ano e o fim de dezembro de 2019, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O resultado foi melhor que o esperado pelo governo. Na terça-feira, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse que o leilão já seria um sucesso se atendesse a 50% da necessidade das distribuidoras de energia.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que o resultado do leilão de energia A-0 foi muito positivo. "Quero registrar isso com clareza, porque foi um trabalho importante da área de energia. A gente está muito satisfeito com o resultado", afirmou.

Custos. O leilão A-0 foi importante para reduzir o custo das distribuidoras com a compra de energia no curto prazo, que está com preços elevados diante do menor nível dos reservatórios das hidrelétricas em mais de uma década e pelo acionamento de térmicas, fonte mais cara de eletricidade.

Augustin disse que o leilão evita um aumento de custo para as distribuidoras, o que evita um repasse do aumento do preço para a conta de luz do consumidor. "As datas de reajustes não são iguais aos fatos econômicos. A conta de luz não muda todos os dias, mas anualmente. Isso significa que nos reajustes posteriores ao leilão o valor (maior antes do leilão) não vai para conta", disse.

Quanto maior a contratação no leilão, menor a necessidade de o governo encontrar formas de cobrir os gastos das distribuidoras com a aquisição de energia no curto prazo. Na última sexta-feira, a CCEE fechou um empréstimo de R$ 11,2 bilhões com bancos para ajudar as distribuidoras a arcar com o custo mais elevado da energia de curto prazo.

Não havia expectativa de que o leilão conseguisse atender toda a demanda das distribuidoras, justamente pela possibilidade de as geradoras lucrarem mais com a venda de energia mais cara no curto prazo. Mas algumas empresas elétricas optaram por assegurar um fluxo de caixa estável no longo prazo ao ofertar energia no certame.

Como esperado, Petrobrás e empresas do grupo Eletrobras apareceram entre as principais vendedoras de energia existente no leilão.

A Petrobrás vendeu 574 MW médios de suas térmicas, a R$ 262 por MWh. Furnas e Eletronorte, subsidiárias da Eletrobras, comercializaram um total de 811 MW médios. A Tractebel vendeu 150 MW médios da hidrelétrica Santo Santiago e a Energias do Brasil outros 5 MW médios da hidrelétrica Lajeado.

Racionamento. Augustin disse que o governo confia na avaliação dos órgãos técnicos do setor de energia elétrica de que não há necessidade de racionamento e medidas de redução do consumo de energia. Ao ser questionado pela Agência Estado sobre esse risco de racionamento, que já está na conta dos analistas do mercado financeiro, o secretário respondeu: "Existem órgãos técnicos que fazem essa avaliação, a ONS (Operador Nacional do Sistema) e o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrica). E esses órgãos têm colocado a avaliação para a sociedade e para o governo de muita tranquilidade", disse ele, acrescentando que a ONS fez um desmentido oficial de matéria sobre necessidade de medidas de redução de consumo.

Segundo Augustin, o governo confia na avaliação dos órgãos técnicos e vai continuar confiando. "A avaliação é de que está tudo dentro da normalidade", disse. Ele destacou que o impacto econômico de acionamento das térmicas existe e o governo tomou medidas para enfrentá-lo. "Seguimos o que os órgãos técnicos avaliam e confiamos neles", disse o secretário. Ele fez questão de destacar que essa era uma avaliação técnica e não dele. "Não é uma avaliação subjetiva. Não cabe a mim fazer essa avaliação. Eu não acho que a área econômica deva fazer", acrescentou.

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