Leilão de energia vende 19 projetos e nenhuma térmica a carvão

Empresa que arrematou o ativo mais disputado do certame, contudo, anunciou que desistiu de participar do investimento

André Magnabosco, da Agência Estado,

29 de agosto de 2013 | 14h29

Atualizado às 15h40

SÃO PAULO - O Leilão de Energia A-5 realizado nesta quinta-feira, 29, terminou depois de aproximadamente três horas de disputa. De acordo com informações disponibilizadas na página eletrônica da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o preço médio da energia contratada no leilão ficou em R$ 109,40 por megawatt-hora (MWh) na Usina Hidrelétrica (UHE) Sinop. O valor representa um deságio de 7,3% em relação ao preço-teto estabelecido inicialmente pelo Ministério de Minas e Energia (MME), de R$ 118 por Mwh.

A hidrelétrica UHE Sinop, ativo mais disputado do Leilão desta quinta, foi arrematada por um consórcio formado por Alupar (51%) e Eletrobras (49%), esta representada por Chesf e Eletronorte. O projeto localizado no Mato Grosso demandará investimentos de R$ 1,777 bilhão.

A Alupar Investimento, no entanto, desistiu de participar do empreendimento. Segundo fato relevante, a manifestação ocorreu antes do início do certame, por meio de assinatura de um termo de retirada. Mesmo assim, o consórcio formado por Alupar e Eletrobras foi o vencedor do leilão

Em coletiva, os organizadores do leilão informoaram que a Comissão Especial de Licitação foi pega de surpresa com o anúncio feito pela Alupar.

Sem dar detalhes, o presidente da Comissão Especial de Licitação, Ivo Sechi Nazareno, afirmou que o assunto ainda precisa ser analisado. Uma das opções seria a substituição da Alupar no consórcio. "À luz do que foi oficializado à Aneel, vamos divulgar uma opinião sobre aquilo que o edital rege. Se for legítimo, será aceita", afirmou Nazareno.

O presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, destacou que, na pior das hipóteses, o ativo poderia ser assumido pelo segundo colocado no leilão. O preço da energia oferecida seria o mesmo ofertado pelo consórcio que ficou na segunda colocação.

"Estamos tranquilos porque a usina será concedida e construída. Houve uma grande disputa e tivemos um segundo colocado. Se tudo der errado, entrará o segundo colocado", destacou Tolmasquim. A definição do consórcio que será responsável pela construção da usina deverá ocorrer até outubro.

Projetos contratados. Além da usina Sinop, também foi contratada energia de outros 18 projetos, sendo nove Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e nove térmicas a biomassa. Não foi contratada nenhuma térmica a carvão.

No caso da energia negociada na modalidade quantidade, que inclui PCHs e a unidade Sinop, o valor médio da energia ao final do leilão ficou em R$ 114,48 por MWh - beneficiada pelo preço mais baixo de Sinop. O preço médio entre as térmicas ficou em R$ 135,58 por MWh. Com isso, o preço médio da energia total negociada no leilão ficou em R$ 124,97 por MWh.

No caso das térmicas, o preço máximo estabelecido previamente era de R$ 140 por MWh. Dessa forma, o deságio alcançado no leilão ficou em 3,2%.

A potência contratada foi de 1.265 MW, o equivalente a 35,8% da capacidade total habilitada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o certame, que era de 3.535 MW. Foram contratados no leilão 19 projetos, de um total de 36 empreendimentos habilitados. A garantia física total incluída no certame foi de 748,700 MW médio.

O volume transacionado no leilão totalizou R$ 20,649 bilhões, para um total de 165,233 milhões de MWh negociados com 34 distribuidoras - a lista é liderada por Celpa, Copel e Cemat. Os projetos contratados no leilão demandarão investimentos de R$ 4,998 bilhões.

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