Leilão de transmissão da Aneel tem deságio baixo

Dos dez lotes licitados, apenas seis foram arrematados; grupo espanhol Abengoa foi o principal comprador

O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h05

A espanhola Abengoa foi a principal vencedora do primeiro leilão de transmissão de energia de 2013, arrematando três dos seis lotes negociados, incluindo o principal do certame, no qual as tradicionais transmissoras de energia do País não arremataram nada. Apenas 6 dos 10 lotes oferecidos foram arrematados, e o deságio oferecido pelas empresas ficou bem abaixo do deságio médio de todos os leilões realizados anteriormente, indicando um menor apetite dos investidores.

A Abengoa já tinha sido a principal vencedora do último leilão, realizado em dezembro de 2012, quando voltou a participar de forma mais agressiva das rodadas de transmissão.

A estatal Eletrobrás, que sempre foi ativa nos leilões realizados pelo governo desde 1999 e quase sempre arrematou algum lote, não levou nada no leilão, apesar de ter participação em 10 dos 11 consórcios cadastrados na competição. Os outros três lotes foram arrematados pela também espanhola Isolux, pela Neoenergia e por um consórcio formado pelas empresas Bimetal Indústria Metalúrgica e Engeglobal Construções.

Além de Eletrobrás, outras brasileiras tradicionais do setor, como as estatais Cemig e Copel, habilitadas a participar do leilão, também não arremataram nada.

Vence a disputa quem oferece o maior deságio sobre a chamada Receita Anual Permitida, que é a receita máxima que a transmissora tem direito pela prestação do serviço.

O deságio médio do leilão foi de 11,96%, ante 26,4% nos leilões anteriores. A expectativa da Associação das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate) era de que o leilão tivesse deságio semelhante à média dos leilões anteriores.

Mudança. O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Julião Coelho, disse que a agência já esperava que não houvesse interesse em dois lotes que não receberam ofertas. "Não identifico o fato de esses lotes terem dado vazio como (consequência) de qualquer tipo de ação governamental", disse Coelho, ao ser questionado sobre possível influência de mudanças regulatórias na atitude de investidores.

O leilão de transmissão realizado ontem foi o primeiro depois da renovação antecipada e condicionada das concessões de transmissão e geração de energia, que reduziu receita das elétricas. / REUTERS

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