Marcelo Min/Divulgação
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Leilão de transmissão de energia aquém do desejado

Testando pela segunda vez o interesse dos investidores, governo viu apenas dois dos quatro lotes oferecidos despertar interesses

O Estado de S. Paulo

13 de janeiro de 2015 | 08h06

Depois do malogro do leilão de transmissão de energia realizado em novembro, o governo voltou a testar o interesse dos investidores na sexta-feira, oferecendo um pequeno número de linhas. Mas, dos quatro lotes oferecidos, dois não despertaram interesse. E, se não tivesse havido um vencedor para o maior dos lotes licitados, o leilão teria sido um fracasso.

A espanhola Cimy venceu o lote A, na Bahia e no Piauí, em que foram ofertadas cinco linhas, com extensão de 817 km, oferecendo deságio de apenas 1,51%, ou R$ 2,2 milhões em relação ao valor máximo permitido, de R$ 146,8 milhões de receita anual. Não houve interessados para lotes oferecidos em Rondônia e Goiás, que reforçariam os sistemas de transmissão das Usinas de Santo Antônio e de Belo Monte. E a CPFL venceu a disputa do lote I, em São Paulo, necessário para transmitir a energia de biomassa em que a empresa está investindo.

A agência reguladora (Aneel), organizadora do certame, evitou um malogro retumbante ao ofertar apenas 817 km de um total de 2.721 km em linhas de transmissão.

O governo pode justificar o baixo interesse dos investidores com o argumento de que a Eletrobrás não participou do leilão, ao contrário do que ocorreu com regularidade nos últimos anos. Mas foi o próprio governo que vedou a participação da Eletrobrás, sob a explicação de que a holding federal terá de se concentrar nos projetos em fase de execução. Além disso, a Eletrobrás está endividada e só pode investir tomando mais empréstimos. Outro fator é a determinação do BNDES de financiar, no máximo, 50% dos investimentos em transmissão.

Novos leilões estão previstos para abril e junho, quando voltarão a ser licitados os lotes oferecidos e que não despertaram interesse em 2014 e os que precisarão atrair investidores neste ano, para atender à segurança do sistema elétrico. O retorno deverá ser maior, admite a Aneel.

O sistema de transmissão é um dos que mais despertam interesse entre investidores, pois propicia receita segura durante os 30 anos do prazo de concessão. Há, portanto, interesse de investidores privados, o que dispensa empresas estatais de investirem recursos de que não dispõem, seja por má administração, seja por injunções políticas que as impedem de cobrar pelos serviços prestados a outros entes estatais, seja porque viram diminuída sua capacidade de tomar empréstimos em decorrência da política de modicidade tarifária dos últimos anos.

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