Toby Melville/ Reuters
Toby Melville/ Reuters

Leilão do 5G atrai 15 interessados e pode ser vetor para ampliar concorrência em telecomunicações

Além das gigantes Vivo, Claro e TIM, participam também da disputa pela internet de quinta geração provedores regionais como Algar Telecom e Sercomtel

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2021 | 15h58
Atualizado 28 de outubro de 2021 | 16h56

O leilão do 5G cumpriu as expectativas e abriu caminho para o aumento na quantidade de competidores no mercado de telefonia e dados móveis do País. Esse movimento ajudará a reverter, em parte, a concentração do mercado provocada pela venda da Oi para as rivais Vivo, Claro e TIM.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recebeu nesta quarta-feira, 27, propostas enviadas por 15 grupos, entre empresas e consórcios, interessados em arrematar pelo menos uma das faixas a serem leiloadas.

Desse total, cinco empresas já oferecem serviços de telefonia e dados móveis – lista que inclui as regionais Algar e Sercomtel –, enquanto os outros dez são potenciais estreantes nesse mercado.

“O número de dez novos entrantes é algo inédito na história de leilões da Anatel. É a prova de que o modelo foi bem-sucedido no quesito de competição e estímulo aos novos entrantes”, afirmou o presidente da Comissão Especial de Licitação da agência reguladora, Abraão Balbino.

Nos próximos dias, a Anatel vai verificar se os proponentes estão habilitados a participar do certame – ou seja, se apresentaram todas as garantias financeiras e documentos exigidos. O resultado da análise será divulgado no dia 4 de novembro, antes da abertura dos envelopes com as propostas.

Mesmo que algum proponente seja desclassificado, o total de interessados surpreendeu também analistas do mercado. “O número de proponentes buscando comprar uma licença praticamente garante que teremos novos entrantes, gerando uma desconcentração do setor”, disse Ari Lopes, analista sênior da consultoria Omdia.

Sinal mais rápido

Em sua visão, essa variedade de proponentes vai ajudar a diversificar a oferta de empresas e planos aos consumidores, bem como agilizar a ativação do sinal em áreas que não são prioridades das grandes teles. “Devemos ver o lançamento do 5G no interior no Brasil em um ritmo mais rápido do que vimos no 4G e no 3G”, acrescentou Lopes.

Por outro lado, há um desafio grande para novos entrantes. “Esse é um mercado altamente dominado”, diz o consultor e ex-presidente da Anatel, Juarez Quadros. “Um novo entrante vai ter de tomar cliente dos outros para se viabilizar financeiramente.” 

Este será o maior leilão já realizado pela Anatel, podendo movimentar R$ 49,7 bilhões. Desse total, R$ 46,1 bilhões dizem respeito a compromissos a serem assumidos pelas vencedoras com a implementação das redes e R$ 3 bilhões são pagamento de outorgas que vão para os cofres públicos. As faixas leiloadas – 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHZ – servirão tanto para ativar o 5G quanto para ampliar o 4G.

Quem vai

Entre as 15 proponentes estão Vivo, TIM e Claro, conforme esperado. A Oi, que vendeu suas redes móveis, ficou de fora. O leilão será marcado pela presença de empresas regionais, como a mineira Algar e a paranaense Sercomtel, que já trabalham com internet e dados móveis e visam a ampliar a oferta de serviços.

Há, ainda, a cearense Brisanet, maior provedora de banda larga da Região Nordeste, e a Fly Link, empresa de Uberlândia (MG) que trabalha com banda larga por fibra e rádio. Ambas planejam entrar no ramo de internet e dados móveis em 4G e 5G, complementando seu portfólio.

Haverá também consórcios. Um deles é o Mega Net, que representa 421 provedores, de várias regiões do País, mais um sócio financeiro. Nesse caso, o objetivo é usar o 5G para constituir redes neutras que serão exploradas individualmente por cada uma das empresas do grupo.

Outro consórcio é o 5G Sul, formado por apenas duas operadoras – a Unifique e a Copel Telecom, com atuação no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A ideia de ambas foi juntar forças para o leilão. Se tiverem sucesso no certame, cada uma atuará de maneira independente nas praças onde está presente.

O leilão do 5G também terá a presença de empresas MVNO – sigla que se refere à operadoras que não possuem rede própria e prestam o serviço a partir da rede de terceiros. A Anatel recebeu propostas da Neko Serviços de Comunicações, que representa a Surf Telecom, e da VDF, em nome da Datora.

Atacado

Uma novidade deste leilão será a presença de gestoras de investimentos em infraestrutura de telecomunicações, que prestam serviços para outras empresas, e não para o consumidor final.

Uma delas é a NK 108 Empreendimento e Participações, que representa a Highline do Brasil, da norte-americana Digital Bridge. A outra é a Winity II Telecom, ligada ao Pátria Investimentos. Em ambos os casos, o objetivo é de constituir redes neutras que possam ser oferecidas no atacado para provedores regionais.

Nesses moldes semelhantes está também a Brasil Digital Telecomunicações Ltda, que representa a BR Fibra, empresa de Porto Alegre que trabalha com redes no atacado e no mercado corporativo.

Uma surpresa foi a oferta vinda da Cloud2U, que representa a Greatek, empresa sediada em São José dos Campos (SP) que fabrica produtos para recepção de internet e TV por assinatura, além de infraestrutura de rede. 

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