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Leilão para fechamento de capital da Redecard ocorrerá até agosto

Preço que o Itaú vai pagar pela ação da credenciadora de cartões é de R$ 35 

Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado,

16 de abril de 2012 | 10h36

SÃO PAULO - O leilão para o fechamento de capital da Redecard, empresa que faz credenciamento de lojistas para bandeiras de cartões de crédito, deve ser feito em julho ou agosto, segundo o presidente executivo do Itaú, Roberto Egydio Setubal.

O preço que o Itaú vai pagar pela ação é de R$ 35. Para a operação ser realizada é necessária adesão de pelo menos dois terços dos acionistas minoritários.

Para Setubal, o maior ativo da Redecard era a exclusividade com a bandeira MasterCard, perdida em julho de 2010 com abertura do mercado a novos competidores. Esse fato, destaca o executivo, redefine o mercado de credenciamento. Setubal acredita que nesse novo cenário, "com o passar do tempo, gerir a Redecard como está, é cada vez mais complicado para o Itaú."

Na teleconferência, Setubal afirmou que se a OPA não for bem sucedida, a empresa segue listada no Novo Mercado. No começo da operação, o banco ameaçou retirar a empresa do segmento. "No início, não tínhamos claro qual seria o nível de importância disso. Confesso que fiquei surpreso com a reação contrária (a tirar a empresa do Novo Mercado)", disse Setubal na teleconferência.

Ele também destacou que o Itaú pode redefinir sua relação comercial com a Redecard, podendo até deixar de ser o acionista controlador da empresa. Setubal destacou que o banco quer maior integração da empresa, inclusive para evitar conflitos de interesse.

Margem 

Mais empresas vão se instalar no mercado de credenciamento, concorrendo com a Redecard e a Cielo e a tendência para as margens do segmento é de queda, segundo Setubal. "Haverá pressão crescente de margens e maior competição", disse.

Para Setubal, construir uma empresa de credenciamento é um processo longo, demorando de 18 a 24 meses, de acordo com estudos internos do Itaú. Por isso, desde a abertura deste mercado a novos competidores, em julho de 2010, ainda não houve tempo suficiente para novos competidores se estabelecerem.

"O retornos atuais são insustentáveis", disse o executivo, destacando que o retorno sobre patrimônio (ROE) da Redecard é de quase 100%. Para efeito de comparação, nos bancos a média é de 20%.

A Hipercard, bandeira do Itaú para a baixa renda, pode vir a ser um adquirente, de acordo com Setubal. Hoje a empresa emite cartões e faz credenciamento, segundo o executivo. "Hoje a Hipercard está dormente. Ela pode fazer também adquirência de outras bandeiras", destaca ele.

Nesse novo cenário mais competitivo, desenvolver novos produtos será essencial, como forma de se diferenciar das concorrentes. A parceria com os bancos também é fundamental. Para Setubal, qualquer novo credenciador que entrar no mercado vai precisar de um banco como parceiro. "A escala fará a diferença", disse Setubal.

As instituições financeiras, destaca, tendem a absorver, por exemplo, os serviços de antecipação de recebíveis, hoje feitos em sua maior parte pelas credenciadoras.

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