Leilões de energia indicam confiança dos investidores

Os vencedores investirão R$ 8,7 bilhões em obras e equipamentos para a construção de 4,9 mil km de linhas, em 10 Estados

O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2017 | 03h00

Três leilões de concessão na área elétrica realizados nos últimos dias mostraram que os investidores acreditam não só na recuperação da economia brasileira e no aumento da demanda nos próximos anos, como na preservação de níveis baixos tanto de inflação como de juros – itens decisivos para definir a remuneração real do investimento. É o que explica os expressivos deságios nas concessões de transmissão e de geração de energia nova.

Todos os lotes leiloados de linhas de transmissão foram vendidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os vencedores investirão R$ 8,7 bilhões em obras e equipamentos para a construção de 4,9 mil km de linhas, em 10 Estados. O deságio médio de 40,46% significa que os investidores aceitaram receber valor inferior ao máximo admitido pela Aneel. A confiança dos investidores – entre os quais indianos, franceses e espanhóis – cresceu entre o primeiro e o segundo semestres: no leilão anterior, em abril, nem todos as linhas atraíram interessados e o deságio médio foi menor (36%).

Nos dois leilões de energia nova, os deságios médios foram de 54,65% e 38,7% em relação aos tetos de preço estabelecidos pela Aneel.

No leilão de geração A-4 foram contratados 25 empreendimentos, entre os quais uma pequena central hidrelétrica (PCH), uma central hidrelétrica (CGH), uma térmica movida a biomassa, duas usinas eólicas e 20 usinas solares fotovoltaicas. No leilão A-6, foram contratados 63 empreendimentos, destacando-se os de energia eólica. Os contratos são de 30 anos para as usinas hidrelétricas e de 20 anos para as usinas a biomassa, eólicas e solares. Os investimentos previstos na geração são expressivos e permitirão adicionar cerca de 3 mil MW médios à oferta total.

A contratação de novas fontes é essencial para o equilíbrio entre a oferta e a demanda no longo prazo, dadas as limitações da energia hidrelétrica. Os reservatórios atuais se tornaram insuficientes para assegurar a energia necessária nos períodos de estiagem.

O objetivo é garantir a segurança energética de que a economia precisa para crescer. O resultado dos últimos leilões é um passo rumo a essa segurança, com a vantagem de contratar energia a custos menores do que os admitidos pela Aneel, em benefício de consumidores hoje submetidos a tarifas muito elevadas para este insumo essencial.

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