Leilões arrecadam mais que o previsto e dão folga de R$ 4 bi ao caixa do governo

Equipe econômica contava inicialmente com uma receita de R$ 11 bi com as usinas da Cemig e mais R$ 700 milhões com áreas de óleo e gás, mas ágio garantiu uma arrecadação de R$ 15,9 bi, o que pode permitir uma liberação maior de recursos para ministérios

Adriana Fernandes - O Estado de S.Paulo

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BRASÍLIA – O dia foi de alívio para a equipe econômica com o sucesso de dois leilões nesta quarta-feira, 27. Em São Paulo, pela manhã, foram concedidas a estrangeiros quatro usinas da estatal mineira Cemig. E, à tarde, no Rio, foram arrematados 37 blocos para exploração e produção de petróleo e gás. O ágio das concorrências surpreenderam as expectativas do próprio governo, garantindo uma receita extra de R$ 4,2 bilhões para o caixa da União.

O reforço no caixa deu alívio fiscal num momento de dificuldade política para o presidente Michel Temer e abriu espaço para uma liberação maior das despesas do Orçamento até o final do ano, além dos R$ 12,8 bilhões anunciados na semana passada. 

O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, admitiu que um dos motivos que levou a estatal e a ExxonMobil a darem o lance mais alto do leilão são as chances de o bloco arrematado ter reservatórios na área do pré-sal. Foto: AFP/Mauro Pimentel

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O governo contava inicialmente com R$ 11 bilhões com o leilão das usinas da Cemig e R$ 700 milhões com a venda dos blocos de petróleo. Mas o resultado alcançado foi de R$ 12,1 bilhões na licitação das usinas e R$ 3,8 bilhões nas áreas de exploração de petróleo.

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Os R$ 15,9 bilhões de receitas ainda em 2017 afastaram, na prática, o pior risco fiscal que estava no caminho do governo: a possibilidade concreta de uma paralisação efetiva da máquina administrativa pelo forte corte em vigor que tem maltratado muitas áreas essenciais do serviço público. A manutenção do corte atual de R$ 45 bilhões por mais tempo seria insustentável. A discussão agora na equipe econômica é se a liberação maior das despesas poderá ser feita logo.

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Para o governo e analistas econômicos, o sucesso do leilão também afastou o risco de descumprimento da meta fiscal deste ano. Essa possibilidade continuava no radar mesmo depois de o Congresso ter mudado a meta fiscal permitindo um rombo de até R$ 159 bilhões.

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27/09/2017

Refis. A opção será liberar agora um valor maior ou deixar uma margem de segurança para administrar riscos de perda de receitas até o final do ano, inclusive com o Refis (parcelamento de débitos tributários) aprovado ontem com grandes mudanças que favorecem os contribuintes devedores. A margem obtida com os leilões pode compensar a perda de arrecadação com a flexibilização das regras do Refis.

A equipe econômica ainda tem uma espécie de “colchão” de R$ 4 bilhões com a liberação de receitas de precatórios (ordens de pagamento de ações perdidas pela União mas que não foram resgatadas pelos vencedores há mais de dois anos). Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o ministério do Planejamento só vai recomendar uma liberação maior se pareceres forem editados para garantir os recursos. Entre perdas e ganhos, a margem para um desbloqueio maior do Orçamento subiu para cerca de R$ 7 bilhões

Na Fazenda, porém, há uma avaliação de que a liberação de R$ 12,8 bilhões prevista para ser feita amanhã já seria suficiente. O argumento é de que qualquer expansão de despesas nesse momento criaria pressão em 2018 em função do teto de gastos (que trava o crescimento dos gastos públicos à inflação). 

Para o economista-chefe da corretora Tullet Prebon, Fernando Montero, começaram a aparecer dados bons também do lado fiscal, inclusive melhoria da arrecadação de tributos. Ele lembrou que até 15 dias atrás havia muita dúvidas fiscais, que agora começam a se dissipar.

As privatizações do presente e do passado que causaram polêmica no Brasil

1 | 7 Em agosto, a Aneel havia estimado um impacto bem mais alto nas tarifas Foto: Tiago Queiroz/Estadão
2 | 7 O governo do Rio de Janeiro deu mais um passo neste mês para a privatização da Cedae, a estatal fluminense de saneamento. Foi escolhida a consultoria que vai definir o modelo de venda da companhia. O consórcio de consultoria venceu a licitação do BNDES com uma proposta de R$ 6,7 milhões. Segundo o banco de fomento, a proposta representou um deságio de 75,12% em relação ao valor máximo previsto no edital, que era de R$ 27,273 milhões. Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO
3 | 7 A venda da Vale ocorreu em 1997, em meio à polêmica onda de privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Os críticos acusavam o governos de ter liquidado patrimônio público em troca de muito pouco retorno. Na época, a mineradora foi vendida por R$ 3,3 bilhões, mas chegou a se falar que o valor da empresa foi estimado em R$ 92 bilhões no leilão. Atualmente, o valor de mercado da Vale está em torno de R$ 160 bilhões. Foto: Sergio Castro/Estadão
4 | 7 O Banespa foi vendido em 2000 para o Santander por R$ 7 bilhões. A intervenção federal no banco estendeu-se de dezembro de 1994 a dezembro de 1996, quando apresentava um rombo de R$ 15 bilhões. Na época, os bancários diziam que, antes de assumir o cargo de governador, Mario Covas (PSDB) havia se comprometido a preservar o Banespa. O processo de privatização passou ainda por alguns tropeços, como multas cobradas pela Receita Federal e brigas políticas. Foto: FILIPE ARAUJO/AE
5 | 7 A Telebrás foi vendida em 1998, durante o governo FHC, na maior privatização do País, arrecadando R$ 22,058 bilhões. O grupo formado por Mendonça de Barros, Lara Rezende e Renato Guerreiro, que presidia a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), foi responsável pelo modelo de privatização. O Ministério Público Federal (MPF) deflagrou uma ação questionando a legalidade do processo após a divulgação de gravações telefônicas em que integrantes do governo supostamente articulavam um esquema para favorecer o grupo liderado pelo Opportunity na aquisição da Tele Norte Leste. Foto: Reuters
6 | 7 Considerada a "joia da coroa" do Programa Nacional de Desestatização (PND) implementado durante o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992), a Usiminas foi vendida na extinta Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) por US$ 1,74 bilhão. A primeira tentativa de fazer o leilão, em setembro de 1991, falhou por conta de intensos confrontos entre a polícia e manifestantes contrários à privatização, que transformaram a Praça XV, no Centro do Rio, onde ficava a sede da BVRJ, em uma praça de guerra. Pouco mais de um mês depois, o leilão foi retomado e a venda da então maior siderúrgica do País, concretizada. Foto: Usiminas
7 | 7 Outra siderúrgica cuja privatização envolveu manifestações nas imediações da antiga Bolsa de Valores do Rio de Janeiro foi a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), privatizada em 1993, durante o governo de Itamar Franco (PMDB). A história da empresa começou com Getúlio Vargas em 1941, e, portanto, era tida como ícone da economia estatal. A CSN foi vendida por R$ 1,2 bilhão para o empresário Benjamin Steinbruch, do Grupo Vicunha, em um processo com polêmicas e batalhas jurídicas. Foto: Tasso Marcelo|Estadão

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