LeitBom, da GP, e Bom Gosto se unem e vão disputar liderança em leite

Agronegócio. Companhias que formarão a nova empresa tiveram faturamento conjunto de R$ 3 bilhões neste ano. A LBR Lácteos Brasil nasce com uma capacidade de produção de dois bilhões de litros de leite por ano, próxima das líderes Nestlé e a BR Foods

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2010 | 00h00

Em negociação desde o primeiro semestre deste ano, foi anunciada ontem a fusão entre as empresas LeitBom, de Goiás, e a Bom Gosto, do Rio Grande do Sul. A operação, baseada apenas na troca de ações, dá origem a uma gigante do setor de lácteos no País, com capacidade de produção de dois bilhões de litros de leite por ano. Com isso, a nova empresa, que vai se chamar LBR Lácteos Brasil, encosta nas líderes Nestlé e BR Foods.

LeitBom e Bom Gosto encerram 2010 com faturamento conjunto de R$ 3 bilhões. "Nossa maior vantagem é que a companhia estará praticamente na maioria dos Estados brasileiros, com fábricas que não se sobrepõem", diz Fernando Falco, até então presidente da LeitBom e agora presidente-executivo da LBR. O veterinário Wilson Zanatta, fundador da Bom Gosto, vai copresidir o Conselho de Administração da nova companhia, com Fersen Lambranho, copresidente da GP Investments.

Controlada pelo grupo, a Monticiano (dona da marca Leitbom desde 2008), terá 40,55% das ações da nova empresa. O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que já detinha 34,6% do capital da Bom Gosto, manteve-se na nova companhia, agora com 30,28%.

O braço de participação do banco de fomento, BNDESPar, fará um aporte de R$ 700 milhões na LBR: R$ 450 milhões com aumento de capital e R$ 250 milhões por meio da subscrição de debêntures conversíveis. "O banco só se manteve nesse processo com a garantia de que continuaríamos investindo no desenvolvimento da cadeia do leite no Brasil", disse Falco. "A ideia é tornar o setor tão forte quanto o de carnes, com capacidade de concorrer no mercado internacional."

Hoje, as empresas brasileiras e cooperativas são responsáveis por uma captação anual de 20 bilhões de litros. As três maiores companhias respondem por um terço de toda a produção. Embora ainda seja muito pulverizado, o setor vem passando por um processo de consolidação nos últimos três anos.

Em setembro deste ano, a LeitBom fez uma associação operacional com a Laep, controladora da Parmalat. O acordo incluiu duas fábricas em São Paulo e uma em Minas Gerais, que pertencem aos laticínios Glória e Ibituruna. Juntas, as três marcas passaram a ter 5% do mercado de lácteos no País. No Centro-Oeste, a LeitBom é líder, com 30% de market share.

A Bom Gosto, com o apoio do BNDES, também cresceu agressivamente nos últimos anos por meio de aquisições. A empresa comprou o controle das companhias Corlac, Nutrilat, DaMatta, Laticínios Santa Rita e Cedrense. Em 2008, também chegou a fazer a fusão de operações com a Líder Alimentos. Hoje, tem capacidade de produção de 5,8 milhões de litros/dia. As estatísticas e rankings do setor são desatualizadas, mas a Bom Gosto diz ser a segunda maior empresa em volume de captação de leite no país, e a primeira em processamento de leite Longa Vida (UHT).

A empresa já iniciou seu processo de internacionalização, com a construção de uma unidade no Uruguai para produção de leite em pó. O terreno, segundo Zanatta, já foi comprado e aguarda autorização do governo daquele país. "É uma fábrica estratégica para iniciarmos a atuação internacional", disse. "Com a fusão, teremos ainda mais condições de levar adiante esse objetivo."

No Brasil, a LBR terá 30 fábricas, com capacidade para processar 8,3 milhões de litros de leite por dia. A nova companhia contará com um quadro de 6,4 mil funcionários. Entre as principais marcas estão Parmalat, LeitBom, Paulista, Poços de Caldas, Glória, Boa Nata, Bom Gosto, Líder, Cedrense, DaMatta, São Gabriel, Sarita, Corlac e Ibituruna. Segundo Falco, ainda não é possível afirmar se há sobreposição de marcas e se alguma delas será extinta.

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