Leitura baixista sobre Copom prevalece e juros futuros recuam

Cenário:

FABRÍCIO DE CASTRO, MÁRCIO RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2012 | 03h06

As diferentes interpretações sobre o comunicado de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, quando a taxa básica de juros, a Selic, foi reduzida de 9,75% para 9,00% ao ano, dominaram os debates no mercado ao longo de todo o pregão de ontem. A noção de que o documento traz um viés baixista para a Selic - embora não seja consenso entre os economistas - fez as taxas dos contratos futuros de juros recuarem de forma consistente ao longo da curva à termo, em especial nos vencimentos curtos e intermediários. Para boa parte dos profissionais, o Copom deixou brechas para que, na reunião de maio, a Selic possa cair, pelo menos, mais 0,25 ponto porcentual, para o piso histórico de 8,75% ao ano. Alguns bancos, como Itaú Unibanco e Bradesco, foram ainda mais drásticos e já preveem um corte de 0,50 ponto porcentual no mês que vem, para 8,50% - nível que marcaria recorde de baixa.

O efeito destas análises teve impacto contundente no mercado futuro. O contrato de juro com vencimento em janeiro de 2013 terminou a quinta-feira em 8,43%, ante 8,67% do ajuste da véspera. O contrato para janeiro de 2014 apontou taxa de 8,91%, ante 9,10%.

Outros agentes, no entanto, defendem que o comunicado da autoridade monetária foi inconclusivo e deixou a questão sobre o fim do ciclo de baixa da taxa básica de juros em aberto. Porém, tanto a corrente conservadora como a mais agressiva ressaltam que, na quinta-feira da próxima semana, a ata do Copom pode ser mais clara sobre a estratégia de política monetária daqui em diante.

No mercado cambial, a aposta de que a Selic pode recuar ainda mais, aliada à piora das bolsas em Nova York, deu fôlego adicional ao dólar. O Banco Central não comprou moeda ontem, interrompendo a sequência de cinco dias com dois leilões diários. Esta ausência provocou ajustes de posições no fim da sessão à vista e também no mercado futuro, que levaram o dólar a desacelerar os ganhos. Ainda assim, o dólar no balcão subiu pela quinta sessão seguida e para novo nível, a R$ 1,8860 - maior valor desde 24 de novembro passado (em R$ 1,8880).

No mercado de ações, o exterior ruim determinou a queda de 0,62% do Ibovespa, para 62.618,41 pontos. O recuo também foi puxado por perdas de mais de 1% da Petrobrás e de baixas consideráveis da Vale. Em Nova York, o Índice Dow Jones caiu 0,53% e o S&P500, 0,59%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.