Lucy Nicholson/Reuters
Lucy Nicholson/Reuters

Lemann aumenta aposta em educação e grupo Eleva se torna um dos maiores do mundo em ensino básico

Com a aquisição de ativos da Cogna (ex-Kroton) em educação básica, companhia, que tem o bilionário entre os sócios, atinge marca de 120 mil alunos; empresa prevê arrecadar R$ 1,5 bi com IPO

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2021 | 08h00

O bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann acaba de dobrar sua aposta no setor de educação básica, que inclui os ensinos infantil, fundamental e médio. O avanço de um dos homens mais ricos do Brasil no setor é realizado por meio do investimento na Eleva Educação, grupo que acaba de abocanhar 51 escolas da Cogna (ex-Kroton). A fortuna de Lemann é avaliada em US$ 18,9 bilhões, segundo a revista Forbes.

Agora, um dos donos da cervejaria ABInBev está no caminho de ter em sua carteira de investimentos, na qual figuram empresas como Lojas Americanas, Burger King e Kraft Heinz, o maior grupo de educação básica do mundo, se forem considerados o número de alunos. Com as escolas da Cogna sob o seu guarda-chuva, a Eleva deverá ficar com aproximadamente 120 mil estudantes.

A Eleva tem uma história marcada por um apetite constante de aquisições. A empresa, que está em processo de abertura de capital na B3, poderá ganhar mais musculatura para sair à frente da consolidação desse mercado no Brasil, que tem um faturamento anual na casa de R$ 70 bilhões, segundo dados da consultoria especializada no setor de educação Hoper.

Uma fonte próxima à companhia, que pediu anonimato, disse que a estratégia da Eleva será tomar a dianteira nesse processo de consolidação do setor “premium” de educação, aquele voltado às classes mais altas e que cobra as mensalidades mais altas. O dinheiro do IPO deve ser usado para aquisições. A operação, programada para este ano e que prevê arrecadar R$ 1,5 bilhão, está sendo tocada pelos bancos Goldman Sachs, Itaú BBA e Morgan Stanley.

Pelo acordo fechado entre Cogna e Eleva, serão vendidas 51 escolas de educação básica, dentre elas o Colégio pH, Centro Educacional Leonardo da Vinci, Colégio Lato Sensu, Sigma, por exemplo. No entanto, as marcas Anglo, pH, Par, Pitágoras, Ético, Maxi e Rede Cristã continuam sendo de propriedade da Cogna, mas a Eleva terá direito de usá-las  nesses colégios.

Setor pouco explorado

O presidente da consultoria especializada em educação Hoper, William Klein, aponta que a educação básica segue muito pulverizada no Brasil e também no mundo – isso porque esse tipo de ensino, ao contrário do superior, costuma ser provido pelo setor público. “Essa consolidação começou a surgir agora, cerca de dez anos depois do movimento do ensino superior”, afirma o especialista.

Klein frisa que, com a tendência de um número maior de famílias matricularem os filhos no ensino particular, o mercado “premium” – nicho no qual a Eleva está se especializando – passou por uma expansão e abriu a oportunidade de consolidação que agora começa a sair do papel. De acordo com Klein, em todo o mundo, há poucos conglomerados educacionais que tenham mais de 50 mil alunos em educação básica.

A Eleva Educação foi criada em 2013, com o fundo Gera Capital. Nasceu da fusão das redes de ensino Elite e Pensi. As aquisições de escolas prosseguiram nos anos posteriores. Além da Gera Capital e de Lemann, outro acionista relevante da Eleva é o fundo norte-americano Warburg Pincus.

A operação com a Cogna envolveu uma troca de ativos e que ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), foi anunciada na terça-feira. “A incorporação das escolas Saber (braço da Cogna) traz um crescimento mais rápido para a companhia”, diz a economista da Toro Investimentos, Paloma Brum. Segundo a analista, esse ganho de musculatura pode ajudar a inflar o valor da abertura de capital.

Educação no radar 

A investida da Eleva, contudo, não é a única atuação de Paulo Lemann no campo da educação. Ele é, por exemplo, um dos mantenedores doadores da escola de negócios Insper. Desde o ano passado a universidade tem a Cátedra Fundação Lemann, que viabiliza a pesquisa acadêmica.

Além disso, desde os anos 1990, a Fundação Estudar fornece bolsas para alunos da rede pública. Alguns dos seus ex-bolsistas seguiram carreira política, como a deputada federal Tábata Amaral (PDT-SP). Lemann, que há tempos dedica parte do seu tempo ao setor, sempre diz que a única alternativa para o futuro do País será pela educação.

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