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Lenga-lenga no petróleo

Se o Brasil já tinha pressa antes para multiplicar seus investimentos na área do petróleo, mais ainda tem agora

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2015 | 21h00

O Brasil prefere esperar, sabe-se lá até quando, pela recuperação dos preços do petróleo e pelo saneamento da Petrobrás para lançar novos leilões de áreas do pré-sal. Isso significa que os resultados também vão sendo empurrados para um futuro não sabido.

O México não está esperando por nada, nem pela recuperação dos preços do petróleo (que voltaram a cair - veja o gráfico) nem pelo aumento do interesse dos investidores. Realizou nesta quarta-feira o leilão de 14 blocos de exploração no Golfo do México, mas não conseguiu evitar o fiasco. Só 2 blocos foram arrematados. Já agendou outras ofertas agressivas. No dia 30 de setembro, haverá novo leilão de exploração de outros 9 campos marítimos onde já foram feitas descobertas. Para 15 de dezembro está marcado outro leilão de área em terra firme.

O Brasil prevê para os dias 7 e 8 de outubro um leilão de 266 áreas em 10 bacias sedimentares fora do pré-sal. Como não se trata de carne de primeira e, aparentemente, de interesse ainda menor do que a apresentada pelo México, o resultado desse leilão pode ser similar.

E não é só. O Irã acaba de fechar o acordo nuclear com os Estados Unidos. Uma vez sacramentados os tratados pelos respectivos Parlamentos, o boicote ao produto iraniano e aos investimentos em petróleo que se manteve por quatro anos será suspenso. Então, o terceiro maior detentor mundial de reservas medidas de petróleo e gás voltará a acionar seus poços. Hoje, o Irã produz apenas 2,7 milhões de barris diários, mais ou menos como o Brasil. Mas até 2020 estará bombeando nada menos que 5 milhões de barris diários.

O governo Dilma deplora a falta de recursos para educação. Governadores e prefeitos lamentam a quebra de arrecadação com royalties provenientes da exploração de petróleo e gás. Os sindicatos dos petroleiros se queixam de que os desinvestimentos da Petrobrás e a suspensão dos contratos com fornecedores espalham desemprego nos setores daí dependentes. E, no entanto, pouco ou quase nenhum esforço fazem para abrir esse mercado interno com o objetivo de multiplicar a produção e a riqueza.

Há apenas dez dias, a presidente Dilma firmou acordo com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em que os respectivos países se comprometem a elevar a 20% a participação de fontes renováveis em sua matriz energética (sem considerar hidrelétricas). É uma decisão que merece o aplauso de todos quantos se sentem responsáveis pela saúde ambiental do planeta, mas que, ao mesmo tempo, aumenta o risco de que uma riqueza enorme em petróleo e gás fique definitivamente sepultada nas bacias sedimentares do País, porque a idade do petróleo poderá ter passado, como passou a do carvão.

Se o Brasil já tinha pressa antes para multiplicar seus investimentos na área do petróleo, mais ainda tem agora. Isso exige que o governo desista de suas posturas ideológicas que freiam tudo e assuma uma política pragmática voltada para a urgência da hora e  para o interesse público. Foi essa a escolha do México, que assim começa a concorrer mais determinadamente com o Brasil.

CONFIRA:

Aí está a evolução da arrecadação federal nos últimos sete meses.

Desempenho ruim

Nada que já não estivesse nos cálculos dos analistas. O desempenho da arrecadação federal em junho é ruim: queda real (descontada a inflação) de 2,4% ante junho de 2014. Perfez no primeiro semestre queda real de 2,9%. É resultado alguma coisa melhor do que o previsto, mas de longe insuficiente para as necessidades de cobertura das despesas públicas. A perspectiva de retração ainda maior da atividade econômica nos próximos meses deve piorar esse desempenho

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