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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Lenicov culpa os próprios argentinos pela crise do país

O ministro da Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, foi objetivo e não usou de meias-palavras para analisar as crises política, institucional, econômica, social e cultural que seu país vem enfrentando, e de longa data, conforme acentuou. Eis algumas das declarações que fez, em entrevista concedida ao programa ?Espaço Aberto?, da Globo News:A saída fácil"Em primeiro lugar, a culpa é nossa mesmo. Em vários momentos, nós procuramos a saída fácil e culpamos o resto do mundo pelo que nos acontecia. Às vezes, dissemos que era culpa do Brasil, ou da crise russa... E a vida não é assim. Um país se constrói com o próprio impulso do seu povo, com o esforço e com a capacidade criativa de seu povo. Então, o nosso problema é nosso."Os erros do FMI"Também é verdade que há organismos que prescreveram políticas erradas. Mas isso é uma coisa secundária. Em 1983, quando a democracia chegou à Argentina, eu me dediquei à vida pública. E antes do golpe de Estado, eu também fazia política. E percebi que os dirigentes, em muitas circunstâncias, não conseguiam enfrentar as dificuldades. E não me refiro só aos dirigentes políticos, embora esses sejam os mais responsáveis porque cuidam dos destinos do Estado. Mas os outros dirigentes, os intelectuais, os empresários, os de associações não estavam capacitados para corrigir o rumo errado que a Argentina vinha tomando. E não se pode culpar alguém em particular."O acúmulo de problemas"O que aconteceu conosco não foi o problema do De la Rúa, ou dos erros terríveis cometidos pelo Cavallo nos últimos momentos. Foi o resultado de um acúmulo (de problemas), como a questão das províncias. Em 1944 reformamos a Constituição e nela havia uma cláusula estabelecendo que em 1946 deveria ser aprovada uma nova lei para regular as relações entre o governo federal e as províncias. Isso nunca foi feito. Sempre se disse na Argentina que o Judiciário ia mal, mas não mudamos nada. Parece que nós somos especialistas em detectar problemas e não resolvê-los. Para um país desenvolvido há uma solução para cada problema. Para nós, para cada solução há um problema. Quando eu digo que queremos uma economia normal, também tem a ver com isso. Porque, no fundo, há uma questão cultural, e é aí que surgem os problemas dos dirigentes. Não se pode melhorar a credibilidade ou melhorar as expectativas com uma lei ou um decreto. É preciso tempo para isso. Por isso é muito importante o apoio e a atitude do povo e dos dirigentes para mudar esse quadro."Leia o especial

Agencia Estado,

14 de março de 2002 | 07h47

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