Lenicov não vê futuro para Argentina sem FMI

"A saída para a Argentina será muito difícil sem o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)." Com crueza, o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, analisou dessa maneira o que poderia acontecer a seu país se a tão esperada ajuda financeira externa não se concretizar. Nesta sexta-feira, em vários encontros com a imprensa, Remes Lenicov afirmou que, sem a ajuda do Fundo, o país não tem futuro.O atual cenário não é favorável para que essa ajuda chegue rapidamente. O FMI exige - antes de qualquer liberação de fundos - que o governo do presidente Eduardo Duhalde consiga um acordo com os governadores das províncias sobre a co-participação federal. A co-participação consiste na distribuição entre a União e as províncias de parte da arrecadação tributária. O FMI exige que a parte destinada às províncias seja reduzida drasticamente, fato que enfurece os governadores, que alertam para o risco de conflitos sociais caso sofram uma abrupta redução de verbas.O problema para o governo Duhalde é que as negociações com os governadores ficaram estancadas nesta semana, após duras jornadas de discussões. O governo declara-se otimista e considera que poderia chegar a um acordo na terça-feira, já que ao longo do fim de semana as equipes econômicas dos governadores continuarão as reuniões técnicas com os assessores de Remes Lenicov. "Estamos pertíssimo de um acordo", afirmou o ministro. No entanto, os governadores estão céticos sobre uma rápida solução ao impasse.Depois da definição da queda-de-braço com os governadores, o governo Duhalde poderá passar para o embate seguinte, o da aprovação do orçamento nacional no Congresso. O debate do impopular projeto estava previsto para a quinta-feira passada, mas foi adiado mais uma vez. O debate e a votação estão previstos para a quarta-feira da próxima semana.O ministro Remes Lenicov acredita que, depois de conseguir um acordo com os governadores e da eventual aprovação do orçamento nacional, "a negociação com o FMI poderá levar de três a quatro semanas". Fontes do Ministério da Economia admitiram que, enquanto o acordo com os governadores não sair e o orçamento não for a plenário, a missão do FMI não voltará a pôr os pés em Buenos Aires.Nova conversibilidadePela segunda vez em dois dias, o presidente Duhalde admitiu nesta sexta-feira que não descarta a possibilidade de abandonar a livre flutuação do peso e em seu lugar adotar de novo o sistema de conversibilidade econômica. Segundo o presidente, "nenhuma alternativa pode ser desprezada".As declarações de Duhalde colidiram com as do ministro Remes Lenicov, que rechaçou categoricamente a possibilidade de uma nova conversibilidade: "Não sei muito bem o que o presidente quis dizer, mas nós não estamos trabalhando com essa hipótese".Segundo o ministro, ele e sua equipe econômica estão "convencidos" de que "a melhor alternativa é a livre flutuação da moeda": "Não pensamos nem em dolarização nem em conversibilidade".Em diversos setores financeiros portenhos, uma eventual nova conversibilidade é encarada como uma saída para a recuperação da confiança dos argentinos no peso, a desprestigiada moeda nacional, atualmente sem respaldo algum.Enquanto a velha conversibilidade - que vigorou entre março de 1991 e janeiro deste ano - estabeleceu uma rígida paridade um a um entre o peso e o dólar, a nova conversibilidade poderia ter outra relação. Alguns analistas consideram que deveria ser estipulada na proporção de US$ 1,00 para 2,00 pesos, e poderia ser sustentada com as atuais reservas do Banco Central.DólarA moeda americana fechou nesta sexta cotada em 2,15 pesos, um aumento de 0,05 peso em relação à véspera. O leve aumento, segundo analistas financeiros, deveu-se a especulações sobre eventuais complicações políticas no fim de semana, como a demora no acordo com os governadores e as conseqüências do adiamento na votação do orçamento nacional.Leia o especial

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