Lenicov vai aos EUA semana que vem pedir verbas

O ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov, fará sua primeira viagem à Washington, na próxima semana, para tentar dar início ao acordo para a liberação de novos recursos à Argentina. Será uma tentativa desesperada do ministro para romper o silêncio do Fundo Monetário Internacional (FMI) após o lançamento de seu pacote no último domingo.Lenicov arriscou todas suas cartas ao anunciar o que o FMI queria, a flutuação do câmbio a partir da próxima segunda-feira, com o intuito de forçar um "apoio contundente", como ele próprio definiu.O ministro desembarcará na terça-feira, conforme fontes do ministério de Economia. Neste meio tempo, o governo tenta obter um apoio o mais rápido possível e para isso resolveu apelar.Segundo o jornal La Nación, o embaixador argentino Guillermo González transmitiu uma mensagem ao governo norte-americano em um dramático tom de apelo: "Agradecemos e reconhecemos a mensagem e o respaldo político, mas este é o momento de passar à ação direta e concreta porque a situação é muito complexa e, mais adiante, não haverá tempo para o arrependimento".Uma alta fonte da Casa Rosada disse à Agência Estado que o presidente Eduardo Duhalde e sua equipe econômica estão nervosos porque "esperavam um sinal de aprovação do FMI antes da abertura do mercado na segunda, mas temos a esperança de conseguir isso até domingo". A fonte admitiu que "sem o apoio concreto e efetivo, será difícil sustentar qualquer plano".Até agora o FMI não se pronunciou sobre ajudaAté o momento o FMI não se pronunciou oficialmente sobre a ajuda que a Argentina necessita para controlar o câmbio e dar sinais de credibilidade. Alguns jornais argentinos têm publicado e o mercado tem comentado sobre a existência de um documento interno do FMI que critica duramente o plano Lenicov e duvida sobre a capacidade do governo de adotar políticas sérias.O suposto documento considera irreal a projeção de déficit e de crescimento do orçamento de 2002 e sugere mais cortes nos gastos. No entanto, o secretário de Fazenda, Oscar Lamberto, afirmou que "é impossível baixar o gasto sem incrementar o nível de conflito, o qual a sociedade não resistiria", disse num claro sinal de que o governo Duhalde não tem a intenção de apertar o cinto.A justificativa do secretário foi dada à Comissão de Orçamento e Fazenda da Câmara dos Deputados, onde o secretário tem passado os últimos três dias com o objetivo de acelerar a tramitação do projeto de orçamento. Lamberto esclareceu que para cortar mais gastos, o governo não teria alternativa fora da redução de salários do funcionalismo que já foi duramente golpeado pelo governo de Fernando De la Rúa.Governo não reduz transferências às provínciasO que os analistas e o FMI questionam é o fato de o governo não reduzir o montante destinado às transferências às províncias. Dos $39 bilhões de pesos previstos no orçamento, $31 bilhões são destinados às transferências, enquanto que dos $8 bilhões restantes, $6 bilhões são para o pagamento de salários. Os outros $2 bilhões são para gastos diversos e pagamento de compromissos com os organismos internacionais como FMI, Bird e Bid.O orçamento não está prevendo os gastos que o governo terá com a chamada "reestruturação" do sistema financeiro, que envolve o plano de salvamento das entidades sem liquidez e a compensação aos bancos devido à pesificação das dívidas. Este é outro ponto com o qual o FMI não estaria nem um pouco de acordo, muito menos o governo norte-americano.A entrevista do secretário do Tesouro, Paul O´Neill, concedida ontem, deixou bem claro que pelo andar da carruagem a Argentina será o primeiro país a receber a aplicação da nova filosofia do governo de George W. Bush para enfrentar as crises financeiras dos países emergentes.Tudo indica que a negociação é dura e que a ajuda poderá não chegar enquanto o governo argentino não mudar sua receita: aplicar um forte arrocho e deixar que os bancos paguem sua quota, já que tiveram 12 anos de lucros incessantes no país", afirmou o economista Aldo Abram, da consultoria Exante, à Agência Estado.Leia o especial

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