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Lessa define novas diretrizes do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) definiu como "prioridades" para os próximos anos, o apoio aos setores de infra-estrutura e exportações. "Até agora estávamos trabalhando seguindo as diretrizes fixadas pela administração anterior. A partir de agora o banco vai atuar conforme as diretrizes do novo governo", definiu o presidente da instituição, Carlos Lessa, em entrevista coletiva. Lessa enfatizou que o banco está retomando o seu papel de "desenvolvimento" que, a seu ver, é diferente do simples crescimento econômico. "O desenvolvimento implica em transformações nas estruturas de produção, financeira, patrimonial e institucional", resumiu Fábio Eber, diretor do banco e responsável pelas discussões sobre as novas diretrizes da única fonte de recursos de longo prazo no País. Eber considera que o governo anterior tinha como política deixar que o mercado escolhesse os setores e locais de investimentos, mas a diretoria do BNDES considera que isso não trouxe bons resultados, em termos de crescimento econômico. "Predominava a idéia de que ao governo caberia resolver as questões institucionais, que o desenvolvimento viria a reboque. Na nossa visão isso não é correto", disse Eber. Apoio ao setor privadoLessa enfatizou que a prioridade da instituição é apoiar o setor privado, mas ressalvou que nenhum país pode ficar refém da falta de agentes para implementar projetos necessários ao bem estar da sociedade. "Se a iniciativa privada mostrar inapetência ou timidez para empreender, a sociedade terá de buscar outras soluções", disse Lessa. Ele afastou, porém, a idéia de que o novo governo poderia induzir à volta de um capitalismo estatal, ou seja, em que os investimentos seriam comandados por empresas estatais. "Essa é uma idéia velha, que não está em discussão", comentou. A diretoria do banco não está trabalhando com a idéia de que a retomada dos investimentos possa vir a ser liderada por empresas estrangeiras. "Isso nunca aconteceu no Brasil. O capital estrangeiro sempre vem a reboque. Só quando o País está crescendo é que as multinacionais investem mais", observou o diretor de política industrial Maurício Borges Lemos. Mas o BNDES não fará nenhum discriminação contra o capital estrangeiro. "Se as empresas estrangeiras quiserem investir em setores que considerados estratégicos, o BNDES apoia o empreendimento", disse Lessa. Interesse pelo mercado de capitaisO BNDES continua muito interessado em apoiar o mercado de capitais. "Nos contratos que assinamos mencionamos que a empresa deverá buscar formas de abrir o capital e temos todo interesse em apoiar o mercado de capitais. O que notamos, porém, é que são as empresas que não demonstram interesse pelo mercado e estão optando por fechar o capital?, disse o presidente do BNDES.A instituição está buscando, também, alternativas de apoio a outro tipo de instituição, como é o caso das cooperativas de trabalho. Lessa citou o caso da empresa paulista Conforja, que está em processo de arrendamento para os ex-funcionários. Segundo o diretor de inclusão social da instituição, o BNDES deverá assinar contrato de financiamento no valor em torno de R$ 20 milhões na próxima semana para uma cooperativa de ex-funcionários da empresa. Esses funcionários arrendaram os ativos da Conforja e deverão mantê-la operando. Na visão do BNDES, apesar dos problemas jurídicos para esse tipo de apoio, o governo considera válido recuperar um empreendimento capaz de gerar emprego e renda. O banco quer também apoiar os chamados "clustters", que são iniciativas reunindo diversas pequenas e médias empresas especializadas em determinados segmentos. Lessa citou o exemplo do pólo de moda íntima de Nova Friburgo, no interior fluminense, como um empreendimento que pode vir a ter apoio da instituição. Apoio a estatais não é descartadoLessa também destacou que não vê problemas em financiar empreendimentos liderados por empresas estatais. Ele lembrou, porém, que atualmente há limitações para esse tipo de investimentos, especialmente devido aos acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esses acordos definem que os investimentos das estatais são classificados como "gastos" e devem ser reduzidos, com a exceção do grupo Petrobras, que conseguiu situação especial a partir deste ano. Uma eventual retomada dos investimentos por empresas estatais, portanto, passaria por uma nova negociação do governo brasileiro com o FMI "e isso é definido em outras instâncias do governo", afirmou Lessa.

Agencia Estado,

23 de maio de 2003 | 14h40

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