Lessa: FHC e controladores da Ambev são "vendilhões da Pátria"

Eloqüente e cáustico, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, fez sucesso nesta terça-feira entre calouros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ao ministrar a aula inaugural do curso de Economia. No início, avisou aos estudantes que não falaria sobre política, mas não foi necessário muita insistência dos alunos para desencadear um tiroteio verbal do ex-reitor. Criticando duramente os controladores da Ambev pela associação com a belga Interbrew, ele os comparou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem chamou de "vendilhão da Pátria". Utilizou um termo comum nos textos bíblicos e definido, pelo dicionário "Aurélio", como "aquele que trafica publicamente em coisas de ordem moral". "Fernando Henrique fez, em escala cósmica, com os bens do Brasil, o que estes três rapazes fizeram em escala reduzida com a Ambev", afirmou, para uma platéia formada por cerca de 200 estudantes de economia. Em nenhum momento ele citou nominalmente Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, controladores da Ambev, aos quais se referia sempre como "estes três rapazes". Sem saber que havia jornalistas na platéia, Lessa disse que os três empresários "são qualquer coisa, menos brasileiros". Foi a primeira vez que o presidente do BNDES manifestou-se publicamente sobre a negociação fechada pela Ambev no início do mês. "Brahma e Antarctica conseguiram ser o que são porque o Estado brasileiro os apoiou desde sua criação", disse, referindo-se à posição que o grupo alcançou na indústria de bebidas nacional. "Agora, 54% dos lucros serão convertidos em euros e enviados para a Bélgica", completou.

Agencia Estado,

24 Março 2004 | 06h02

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