Lessa pede investigação sobre venda da Embratel

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, quer que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investigue o processo de venda da Embratel. De acordo com um ofício do BNDES divulgado nesta sexta-feira pelo consórcio Calais (formado pela Telefônica, Telemar, Brasil Telecom e Geodex), a proposta da mexicana Telmex, preferida pela dona da empresa brasileira, "acarretará prejuízos aos acionistas minoritários, configurando abuso de poder de controle".O BNDES argumenta que a proposta da Telmex é menor que a das concessionárias locais. A Telmex oferece US$ 400 milhões e o Calais, US$ 550 milhões. Hoje, o consórcio das teles locais elevou a garantia de pagamento à americana MCI, controladora da Embratel, de US$ 396 milhões para US$ 470 milhões. Também foi enviada uma cópia do ofício à Securities and Exchange Commission (SEC). "A nós interessa que a venda se processe pela melhor oferta", afirmou o vice-presidente do BNDES, Darc Antônio da Luz Costa, acrescentando que o interesse da instituição na venda da Embratel é principalmente por ser acionista minoritário. No entanto, o banco também possui interesse no negócio como acionista da Telemar, integrante do consórcio Calais. O BNDESPar detém 25% da Telemar Participações.A visão de Lessa não é consensual no governo. O ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, disse hoje que "não tem preferência" por nenhum grupo. "O ponto de vista do BNDES é do BNDES e o presidente do BNDES não é vinculado a este Ministério" explicou Eunício.Apesar de a MCI ter saído da concordata, a venda da Embratel deve ser decidida terça-feira pela Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York, nos Estados Unidos. A garantia de pagamento oferecida pelo Calais significa que, na prática, o consórcio daria US$ 470 milhões de entrada pela Embratel e, se o negócio não fosse aprovado pelas autoridades, a MCI devolveria ao consórcio o que fosse pago por outro comprador, até o limite de US$ 470 milhões. Hoje o Calais entregou à Anatel os documentos sobre o consórcio."O protocolo dos documentos mostra que não vemos risco na operação", afirmou o porta-voz do consórcio, Otávio Marques de Azevedo. Em sua nova proposta, o Calais ofereceu à MCI a possibilidade de usar um administrador, também chamado trustee, para a Embratel, enquanto o negócio estiver em análise pela Anatel e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A MCI vê muitos "riscos regulatórios" na proposta do Calais.

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