Lessa se define como um "neonacionalista"

Após muito desgaste e polêmica, o economista, professor e "neonacionalista" Carlos Lessa deixa a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, cargo que ocupava desde o início do governo Lula. Doutor em Economia pela Unicamp, tinha acabado de ser eleito reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando foi convidado para o cargo. Sua indicação foi obra da economista e ex-deputada federal pelo PT, Maria da Conceição Tavares, sua colega na UFRJ e da mesma linha ideológica. Também tinha no ministro da Casa Civil, José Dirceu, e no senador Aloizio Mercadante, seus padrinhos. Neonacionalista, como se auto-intitula - "Fico cheio de cheio de tristeza quando uma empresa nacional passa a ter controle estrangeiro" disse uma vez - Lessa é conhecido por seu comportamento polêmico. Desde o começo de sua gestão no banco, o economista trocou farpas públicas com o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, a quem, teoricamente, seria subordinado. Lessa nunca submeteu suas decisões ao crivo de Furlan. As principais divergências entre os dois eram em relação ao papel do banco: enquanto Furlan queria dividí-lo em duas vertentes, uma vinculada ao financiamento do comércio exterior e outra social, para financiamento de micros e pequenas empresas, Lessa almejava uma política paternalista, de um Estado indutor da política industrial. Mas sua posição foi cada vez mais enfraquecida pela discordância com a política econômica. Além de Furlan, se tornaram seus adversários o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, este último alvo das declarações consideradas "a gota d´água". No dia 11 deste mês, Lessa fez duras críticas à condução da política monetária pelo Banco Central. Ele chamou de ?pesadelo? as ações de Henrique Meirelles e se disse convencido de que o presidente do BC faz parte de ?uma articulação para desmontar o BNDES?. Essa é a segunda vez que Carlos Lessa sai do BNDES sem cumprir o mandato até o fim. Entre 1985 e 1989, foi diretor da área social, mas pediu demissão alegando tentar facilitar a ação do então presidente Márcio Fortes, no enxugamento da diretoria.

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