Leste Europeu terá pacote de 24,5 bilhões

Ajuda virá do Banco Mundial e de instituições europeias, mas é apenas 10% do necessário

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

O Banco Mundial e a Europa anunciam um pacote de socorro e um plano para evitar o colapso da economia do Leste Europeu. A medida tem como objetivo ainda garantir a estabilidade social e política na região. Vinte anos depois da queda do muro de Berlim e cinco anos após a expansão da União Europeia ao Leste, a região descobre o que é uma crise capitalista.Amanhã, em Bruxelas, uma cúpula de emergência da UE vai tratar da situação do bloco. O primeiro-ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsany, deve pedir à UE ajuda de 180 bilhões para a região. O Banco Mundial, o Banco de Reconstrução e Desenvolvimento Europeu e o Banco de Investimentos da Europa vão garantir 24,5 bilhões à região, apenas 10% do que o Leste precisa para superar a crise.Em todo a região, 2009 estava programado para ser um ano de comemoração: 20 anos da queda do Muro, 10 anos da ampliação da Otan e 5 da abertura da Europa ao Leste. Mas as festas terão de ser adiadas. O Leste Europeu vive hoje fenômeno não diferente do que a América Latina, há 20 anos. A região baseou seu desenvolvimento em empréstimos e exposição aos bancos europeus. Com isso financiava seu crescimento de mais de 5% ao ano. Agora, mais da metade dos países terão queda do PIB, sofrem com a falta de créditos e ameaçam dar calote. Desde o início da crise, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já socorre Hungria, Sérvia, Ucrânia, Letônia e Bielo-Rússia. Para o Fundo, um colapso da região ampliaria a crise nos países ricos da Europa. "Temos uma responsabilidade especial em relação à região", afirmou o presidente do Banco de Reconstrução, Thomas Mirow. Mas o pacote não está sendo dado por acaso. Hoje, os bancos europeus estão expostos em US$ 1,2 trilhão na região. O pacote, portanto, não vai apenas aos países do Leste. "A iniciativa vai ajudar a mitigar os efeitos da crise", disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn. Pelo pacote, o Bird dará 7,5 bilhões à região e os bancos de financiamento da Europa outros 17 bilhões. O dinheiro será usado até 2011 para financiar dívidas e metade será destinado à recapitalização de bancos. Um fundo será criado para garantir a sobrevivência de pequenas empresas.

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