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Levantamento indica como mercados resistiram a conflitos históricos

Não há outro jeito a não ser manter o sangue-frio e muita cautela para cuidar dos investimentos

Fabio Gallo*, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2022 | 04h00

O que antes era um temor agora é uma terrível realidade com a Rússia invadindo a Ucrânia. Infelizmente, a diplomacia não sobreviveu a um líder autoritário sem freio. Alguém que pode levar novamente a Europa a uma guerra de grandes proporções. 

Obviamente, esse ambiente não é nada bom para os negócios, e os ativos de risco devem sofrer bastante conformeo conflito se acirrar. O preço das ações cairá quanto mais a situação geopolítica se agravar. 

O aumento de preços de commodities já está ocorrendo, afinal, a Rússia é o segundo maior exportador de petróleo e o primeiro de gás natural. Além disso, esse país, com a Ucrânia, responde por 20% das exportações de milho e 25% das exportações de trigo. Como tratar os investimentos nesse cenário? 

Os portos seguros usuais, renda fixa, principalmente títulos do tesouro e ouro, ganham espaço nas carteiras. Nos últimos trinta dias, o ouro subiu 4,8% em dólar, o preço do metal à vista bateu acima de US$ 61 mil, o máximo de 13 meses. 

Como sempre, em momentos de alta volatilidade, o investidor, particularmente aquele mais carregado em ações, deve manter a calma e seguir a estratégia planejada para sua carteira. Historicamente o mercado de capitais reage com prudência e mostra certa resistência em momentos de conflitos militares de grande porte. 

Análise da LPL Financial, publicada pela Klipinger, mostra que o S&P 500 (índice Standard & Poor’s, das 500 ações mais negociadas na Bolsa de Nova York e na Nasdaq) teve retorno negativo médio de 1,1% no dia em que grandes conflitos estouraram, e a queda total média provocada por essas crises foi 4,8%. 

O levantamento considerou desde o ataque a Pearl Harbor em 1941 até a saída norte-americana do Afeganistão em 2021. No século 21, o evento mais dramático, e que provou queda acumulada de 11,6% no índice, foi o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001. O período médio de queda provocado por esses eventos foi de 19,7 dias, e o período de recuperação dos preços foi de 43,2 dias. O levantamento indica como os mercados historicamente resistiram a conflitos e, se esse comportamento prevalecer agora, irão resistir mais uma vez. O S&P 500 neste mês já apresenta forte queda. 

O nosso mercado teve ganho perto de 7% em janeiro e em fevereiro está com queda de mais de 0,5%. Essa análise pode nos trazer certo grau de confiança, mas é difícil conter o temor de perdas econômicas. Além do cenário externo, no caso brasileiro temos de considerar o ambiente inflacionário, com dólar alto e num ano de eleições que podem trazer aumento de risco. Não há outro jeito a não ser manter o sangue-frio e muita cautela para cuidar dos investimentos. 

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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