Leve melhora no exterior faz dólar cair após dia volátil

Numa sexta-feira volátil, o dólar não sustentou a alta do início do dia e encerrou em baixa frente ao real, acompanhando a leve melhora nas principais bolsas de valores e o mercado global de câmbio.

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

25 de setembro de 2009 | 16h40

A moeda norte-americana caiu 0,28 por cento, a 1,799 real na venda, após oscilar entre alta de 0,55 por cento e queda de 0,33 por cento ao longo da jornada. Na semana, a divisa recuou 0,66 por cento.

"A melhora nos mercados externos permitiu que o dólar caísse, também influenciado por um ajuste depois da alta de ontem", afirmou o operador de câmbio Marcos Forgione, da B&T Corretora de Câmbio. Na véspera, o dólar teve a maior alta diária em seis semanas.

Pela manhã, a moeda norte-americana subiu com a notícia de que as encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos tiveram queda de 2,4 em agosto, a maior desde janeiro, conflitando com dados mostrando que a confiança do consumidor atingiu em setembro o nível mais alto desde janeiro de 2008.

A divergência reforçou o receio de que a recuperação da economia dos EUA seja lenta.

No final da tarde, contudo, as bolsas de valores ensaiavam uma recuperação.

No mercado internacional de moedas, o compromisso dos países do G20 em manter os estímulos fiscais até que a retomada esteja garantida diminuía temores sobre liquidez e fazia o dólar cair no exterior.

"A queda do dólar (frente ao real) vista durante a tarde foi em grande parte por conta da baixa da moeda lá fora", disse o operador de câmbio de um importante banco nacional, que preferiu não se identificar.

PRÓXIMA SEMANA

Dados importantes serão divulgados na semana que vem, colocando o mercado em compasso de espera até ter um panorama mais claro sobre a retomada econômica.

Na quarta-feira, saem números relativos ao emprego no setor privado dos EUA, além da leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre --e a expectativa de analistas ouvidos pela Reuters é de contração de 1,1 por cento.

"O mercado vai esperar esses dados e, se vierem melhores que o esperado, o dólar pode ceder ainda mais", afirmou o gerente de operações da Corretora Confidence, Felipe Pellegrini.

"Existe uma barreira psicológica em 1,80 real. Com a expectativa de mais fluxo positivo, o dólar pode quebrar novamente esse suporte e se manter ao redor de 1,75 real no curto e médio prazos."

A Tendências Consultoria vai na mesma linha. "A perspectiva de novos IPOs, o excesso de liquidez no mercado internacional e a melhora da posição relativa do país devem atrair mais capitais até o final do ano e valorizar a moeda nacional que, segundo as nossas expectativas, deve fechar o ano em 1,75 real por dólar", considerou em relatório.

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